sábado, 9 de abril de 2011

O que é Tradicional para a Bruxaria Hereditária?


Em relação ao que é sadio em tradicional, referente à tradição, testemunhamos as pessoas alongando-se em sua confusão como uma capa.

Senão vejamos:


Analisando o termo Tradição, que significa literalmente transmissão (do latim: traditio, tradere = entregar), retrocedemos ao grego, em sua acepção religiosa do termo, a expressão é paradosis (παραδοσις).

Até mesmo no Direito há uma expressão em latim que diz: “Dominia rerum traditionibus transferuntu!”, que significa: “o domínio das coisas se transfere com a tradição!

Na arte dos sábios, tradição mais precisamente é uma transmissão oral ou não, de folclores, narrativas, conhecimentos peculiares e de valores espirituais a que se doutrina uma fé familiar do qual uma geração de bruxos entrega à outra.


Como é sabido dentro dos meios Tradicionais da Arte, as lendas, contos populares e superstições guardam resquícios de costumes mágicos antigos. Para ler mais sobre Arte, lendas e contos bruxos, acesse o artigo "Sapos e Bruxas: O Sapo como Agente Mágico no Folclore e Costumes da Bruxaria Tradicional", no link: Bruxaria Tradicional

Trata-se da crença de uma casta de sábios, cujo totem abre o compasso para os pés do sangue feiticeiro, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações. Uma recordação, memória ou costume entre os parentes, também é o conhecimento ou prática proveniente da transmissão oral ou de hábitos inveterados.


A tradição e sua presença na sociedade baseiam-se em dois pressupostos antropológicos:


a) as pessoas são mortais;


b) a necessidade de haver um nexo de conhecimento entre as gerações.


Tem-se por tradição no sentido amplo tudo aquilo que uma geração herda das suas precedentes e lega às seguintes.
Os aspectos específicos da tradição devem ser vistos em seus contextos próprios: tradição cultural, tradição religiosa, tradição familiar e outras formas de perenizar conceitos, experiências e práticas entre os povos, entre os iguais, entre as proles.


No campo beatificado da bruxaria é onde mais se aplica este conceito. A tradição toma feições mais peculiares em cada crença. Pode-se destacar a presença da tradição nos grandes grupos religiosos: Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, todas as culturas com mais de 2.000 anos de tradição linear, portanto, tradicional, e nas pequenas guildas como as da Arte Feiticeira em seus derivados flancos tradicionais.


Como já o afirmou o Educador Sett, nota-se que a tradição do povo bruxo não se limita ao paganismo e vai para além da ortodoxia católica e cristã. A tradição Católica de adorar e orar aos santos diante das suas imagens foi dogmatizada a partir do século VIII, e é uma continuação de tradição do povo em adorar velhos deuses nas expressões dos novos santos. Entretanto o papa João XXIII tentou acabar com as imagens dentro dos templos assim como com as procissões. Contudo a TRADIÇÃO acabou por ser mais forte, e as práticas heréticas persistiram.

Analisando o termo Tradicional que significa literalmente alimentar o imo incomum desde que seu nascedouro possa chegar intacto e acrescido a quem deve receber perpendicular ou não. Em praticamente todas as Artes Feiticeiras o conservadorismo (sinônimo de tradicionalismo) possui um eixo do Esoterismo transmitido entre iguais, do Ocultismo Egrégio, de uma Prática Clássica, o que é comum nas Antigas Escolas de Mistérios, aquilo que é conservado no seio da fé bruxa como ‘visão de mundo dourado’, no âmago. Toda tradição tende a ser tradicional, todavia os conteúdos habituais só geram a mesma tradição (tradição como sinônimo de entrega) àqueles de sangue bruxo.

A tradição existe para ser confessada aos iguais. Ainda que os iguais deixem de existir um dia, encerrando o ciclo de ‘entrega’, a Arte não se finda, mas toma outra feição, uma vez que possui vida própria, contudo deixa de ser tradicional. Um exemplo clássico disso foi a extinção do povo celta.


Por trás de cada simbologia está uma mensagem, por trás da mensagem está um mistério, e há que existir alguém de sua mesma natureza para lhe entregar as chaves. O trabalho feiticeiro é o da modificação que revolve um ser através de gnose feiticeira, e isso não se localiza evidentemente, pois não é de monetizo notório. A ciência esotérica do Ocultismo Oriental pôde ser acomodada no Ocidente devido a transculturação, mas não em sua integralidade, e a prática de feitiçaria defluida sobreviveu naqueles do mesmo sangue imaterial.

Tradição também é entrega dessa fluidez, ao passo em que os sábios mantiveram e ainda mantêm em segredo seus mistérios mais complexos do oculto, práticas e doutrinas feiticeiras advindas para o ocaso do sol asiático, deixando notório um rastro de exoterismo evidente para se fazer conhecer por aqueles que tomam por tradicional um galho exotérico, não-esotérico, quebrado e sem raiz.




Uma prática espiritual é boa se é eficaz para indivíduos concretos, e acho que esse é um critério mais razoável. Certo é que as novas seitas não parecem possuir a mesma qualidade espiritual das fés tradicionais, mas seria temerário induzir grandes conclusões a partir desse fato. Mais interessante seria compreender intuitivamente o que seria essa eficácia. Essa compreensão já seria a própria eficácia de que estamos falando, ou pelo menos uma parte da mesma. É algo muito simples, mas não o compreenderás com a cabeça.


Com isso, convém, sem mais delongas, dar a significação precisa do vocábulo Lupino, usada por nós, fazendo notar que se aplica a uma unidade étnica, tradicional, e civilmente registrado como sobrenome de uma família:
São Lupinos todos aqueles que condescendem à mesma lembrança, sangue e condição, bem visto, ao serem devidamente investidos e qualificados para aceder e transmitir real e efetivamente a nossa tradição, e não de um modo simplesmente exterior e ilusório.


Outro modelo é o caso dos Jainas e também é, ainda em tempos contemporâneos, o dos Sikfos.
É, portanto um verdadeiro contra-senso dizer-se, por exemplo: "jainismo hindu", em vez de jainismo indiano. Eis a grande diferença entre nós, verdadeiros Lupinos, e os que professam um caminho lupino sem linhagem. A estes, lembramos que nós já existíamos antes da autora do Harry Potter criar o personagem Lupin.


O que faz a gravidade de um erro tal, e que constitui aos nossos olhos muito mais do que uma simples inexatidão de detalhe, é que isso evidencia uma profunda falta de conhecimento do caráter mais essencial do costume feiticeiro.
Assim podemos observar a proeminência sob a quebra do tradicional onde expõe aos olhos sábios qual bruxaria que se descreve tradicional mas vulgar, nada mais é que um galho destacado, talvez corrompido, dum tronco antigo e respeitável, que não teve continuação linear por quem se apresenta.


É assim mesmo que é preciso encarar a questão. Comete-se freqüentemente a injustiça de assaltar exclusivamente a Feitiçaria Tradicional e a Hereditária, sem refletir que se está copiosamente criando o produto dum descaminho quando não se possui uma tradição linear. Os primeiros responsáveis por este descaminho, ao que parece, foram os zagais da bruxaria protestante, e seu Conselho, que redigiram e reinterpretaram as compleições da bruxaria tradicional, publicadas em sites europeus e que fizeram desaparecer todos os anosos apontamentos dos quais puderam deitar mão, para que não se percebesse as inovações que eles introduziram, e também por que estes apontamentos continham fórmulas que julgavam muito estorvantes, como o empenho de "fidelidade aos de Sangue Bruxo", sinal incontestável da origem universal da feitiçaria clássica. Esses bruxos protestantes prepararam este trabalho de deformação, aproveitando os quinze anos que decorreram a partir da explosão da Arte Bruxa no ambiente virtual.


Espero com isso tudo ter elucidado essa questão bastante confusa, não espero quer todos compartilhem dessa mesma idéia comigo, mas aspiro para que todos tenham seus próprios meios de apurar.

Por Sett Ben Qayin

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