quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma Apreensão dos Tempos Modernos


Na coletividade bruxa, atualmente tem-se dilatado o campo de intervenção do concebo, acolá da sua intervenção tradicional na edificação do ‘ser’, sendo o feiticeiro chamado a intervir nos campos da reprodução hábil, se tratando das artes bruxas comuns ou ponto que fornece um elo entre todas as eras em todos os lugares do mundo sob efeito e foco do que era feito a façanha das bruxas antigas. Naturalmente, um dos seus dons sempre foi e ainda é, o de criar.

As “culturas”, ainda contêm o papel cada vez mais decisivo na preparação e entendimento de concepções a cerca da bruxaria localizada em determinado território, e esta, por sua vez não pode ser propagada para o todo, tão somente se for adaptada ao ponto diverso do original, adequada de forma a não romper com sua alma.

A ciência que estuda, examina e pesquisa, explora e observa, descobre e ensina as artes bruxas (witchcraft), outrora denominada pelas línguas latinas como Bruxaria, pretende abordar e explanar, em que medida, com que processos, e em que circunstâncias, as Artes Bruxas, concorreram para a formação do que ela é entendida hoje, ao se moldarem pelas ideologias de sábios e sistemas culturais retirados de sociedades antigas, dos quais seus segredos foram re-interpretados ou não em tempos modernos, (tendo particular atenção ao caso do exoterismo), que é notório e confabula muito para a criação de artigos sobre o tema, bem como participaram - direta ou indiretamente - nas contradições, nas tensões e nas crises dos diversos momentos da história da bruxaria do século XX, em contrapartida de um legado esotérico e feiticeiro transmitido linearmente de forma hermética nos limiares dos Covines de bruxaria tradicional.

Quem foram os grandes ocultistas que desde o século XI, deixaram um legado sobre magia, cujo material ainda hoje pode servir de estudo e aplicação, mas que são menosprezados por alguns bruxos pelo simples fato de desconhecerem o fator tradicional em magia? Isso é coisa para se buscar e refletir, pois esses desconhecidos famosos foram os verdadeiros bruxos em sua época. Quais foram as escolas ou teorias que deram vazão ao bom emprego das pesquisas feitas por esses ocultistas? De onde vieram suas idéias sobre magia? Aquilo que a igreja chamou de bruxaria ainda é a mesma coisa nos dias atuais?

O termo ‘Bruxaria’ vem somente designar aquilo que a bruxa faz, sim, bruxas fazem bruxarias, mas não alcança a definição de ‘o que é a bruxa’ realmente, também não deixa claro de onde elas retiram seu poder, de onde veio o seu dom e legado, muito menos dá os limites de atuação de uma bruxa, e alguns mentores propõem cultos neo-pagãos e atribuem a isso o termo bruxaria, edificando o culto como sendo tradicional. Mas será que as bruxas incluíam um culto verdadeiramente religioso em suas práticas? Será que as bruxas que não faz culto não tem poder?

Se formos estudar as diversas expressões das artes bruxas, veremos que há muito mais do que se possa imaginar. 

Costuma-se referir na história das artes bruxas mais tradicionais, a imagem e transformação, o entalhe, a modelagem e o uso de raízes e certas plantas, o ofício dos ferreiros e a arquitetura do ser com sua forja desnudada pelo fogo feiticeiro e seus poderes atraídos para residir tal escultura imortal, os atributos dos dons congênitos guardados na alma, ganhados em vidas anteriores e seus usos principalmente nas horas de emergência. Dos estudos mais elementares aos mais altos estudos, são esses os legados de uma bruxaria evidentemente tradicional, pois tudo interessa à bruxaria, sem nos esquecermos de, no que tange a mão verde da bruxa, foi Paracelso quem legou ao mundo a teoria das assinaturas. Portanto se você é um bruxo que trabalha muito bem com as plantas, obrigatoriamente você estudou a botânica oculta de Paracelso.

É muito comum alguém chamar a arte rupestre para fundamentar sua vertente de bruxaria pagã. Mas será que a arte rupestre sozinha é suficiente para ser a dona de uma sabedoria eterna, ou foi a partir dessa arte que se desenvolveu uma percepção da fé?



A arte rupestre foi a primeira demonstração de arte que se tem notícia na história humana. Seus vestígios datam de antes do desenvolvimento das grandes civilizações e tribos, como as do Antigo Egito. Esse tipo de arte era caracterizado por ser feito com materiais como terra vermelha, carvão, e pigmentos amarelos (retirados também da terra). Os desenhos eram realizados em peles de animais, cascas de árvores, e, principalmente, em paredes de cavernas. Retratavam animais, pessoas, e até sinais. Havia cenas de caçadas, de espécies extintas, e em diferentes regiões. Apesar dos desenvolvimentos primitivos, podem-se distinguir diferentes estilos, como pontilhado (o contorno das figuras formado por pontos espaçados) ou de contorno contínuo (com uma linha contínua marcando o contorno das figuras). Apesar de serem vistas como mal-feitas e não-civilizadas, as figuras podem ser consideradas um exemplo de sofisticação e inovação para os recursos na época. Não existem muitos exemplos de arte-rupestre preservada, mas com certeza o mais famoso deles é o das cavernas de Lascaux, na França.

As características da arte na pré-história podem ser inferidas a partir dos povos que viveram nela, por exemplo, os aborígenes, os índios. Na pré-história, a arte não era algo que pudesse ser separada das outras esferas da vida. Ela não se separava dos mitos, da economia, da política, e essas atividades também não eram separadas entre si. 

Todas essas esferas formavam um todo em que tudo tinha que ser arte, ter uma estética, porque nada era puramente utilitário, como são hoje um cajado, caldeirão ou uma urna eleitoral. Tudo era ao mesmo tempo mítico, político, econômico e estético. E todos participavam nessas coisas. Isso foi a conhecida era pagã. Uma era cujos costumes tradicionais não se aplica nos dias atuais.

A arte como uma palavra que designa uma esfera separada de todo o resto só surgiu quando surgiram as castas, classes e Estados, isto é, quando todas aquelas esferas da vida se tornaram especializações de determinadas pessoas: o governante com a política, os caipiras com a economia, os sacerdotes com a religião e os artesãos com a arte. Só aí é que surge a arte "pura", separada do resto da vida, e a palavra que a designa.

Mas antes do renascimento, os artesãos eram muito ligados à economia, muitos eram mercadores e é daí que vem a palavra "artesanato". Então a arte ainda era raramente separável da economia (embora na Grécia antiga, a arte tenha chegado a ter uma relativa autonomia), por isso, a palavra "arte" era sinônimo de "técnica", ou seja, "produzir alguma coisa" num contexto bem-educado, para não dizer urbano. No renascimento, alguns artesãos foram sustentados por nobres, os mecenas (os Médici, por exemplo), apenas para que produzissem arte, uma arte realmente "pura". Surgiu então a arte como a arte que conhecemos hoje, assim como a categoria daqueles que passaram a ser chamados de "artistas", e com a Arte Bruxa (Arte Sábia) não foi diferente, mas vemos bruxos urbanos pregarem uma arte bruxa pautada em paganismo, totalmente falida, uma vez que a arte bruxa pode ter tido seu berço nos anais da pré-história, mas é fato consumado que sua aplicação se dá nos dias atuais, em todos os locais civilizados ou não, por meio de tradição linear, e obviamente as mais antigas são as mais clássicas.

Ao abordarmos a questão da bruxaria, teremos que decidir de imediato, tão claramente quanto é possível, de que bruxaria pretende-se tratar, pois se versa uma arte-sábia multifacetada, fluída e subdividida em versículos e versões de cada local, cultura, país, região e família.

Um ponto que não compreendemos nem lidamos de uma forma abrangente, não pode se tornar matéria de uma revisão dos fenômenos das bruxas, invocado em apoio de suas teorias, qual permitiu a sua realidade, interpretar de forma totalmente diferente, nem tão pouco poderíamos falar de uma linguagem que poucos compreenderão, e dizer que nunca haverá luz demasiadamente difusa para dissipar a fumaça da ‘estrela sombria’.

Observamos desempenho em exercer e se mostrar nesse papel de bruxa, enquanto o que deveria haver é aquilo que se traduz como a natureza interior, em que há uma real questão de qualificação no sentido expresso do termo ‘bruxa’, um acesso deste termo em condições normais em que essa qualificação deve ser exigida para o verdadeiro exercício da profissão/ofício em que a bruxa surgiu.

Nisso não há nada de excepcional, e nesse sentido, temos uma infinidade de provas consistentes, em que nos muitos países existiu e ainda existe uma espécie de exclusão parcial de comunidade, especialmente com relação ao ofício do ferreiro, freqüentemente associado com a prática de uma magia inferior e perigosa, eventualmente adjunta na maioria dos casos, com a feitiçaria pura e simplesmente.

O que nos preocupa, é a obstinação com a qual os modernos movimentos revivalistas da arte bruxa se empenharam para exumar os restos mortais de outras eras e civilizações, algumas relíquias que, se tornam incapazes para a compreensão e realidade, uma vez que se trata de um sintoma bastante confuso e apaixonado, próprio da natureza das influencias sutis que permanecem ligada aos restos mortais, sem que os investigadores suspeitem, são sacados assim alguma luz que é tomada como verdade e liberada na exumação desse artifício, e então, você pode chamar a isto de ‘encorajar’ uma maneira de olhar, não entendendo esta palavra mais que uma declaração que está no ‘humor’ desses elementos, assim, vemos que esse ‘animismo’, se opõe diretamente ao mecanismo, como a própria aparência se opõe a realidade, contudo, isso é o oposto de ‘evolucionista’, e essa concepção é comum a todas as doutrinas tradicionais.

A bruxaria parece ser, em última análise, toda e quaisquer influência espiritual que se contata no mundo material, e as fórmulas tradicionais se encontram muito bem guardadas.

Por Sett Ben Qayin


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