terça-feira, 12 de julho de 2011

Diferenças entre as Três Artes

Bruxa cavalgando o Cavalo de Jacó, indo para o Sabá




Há diferenças entre a Bruxaria Comum, a Bruxaria Tradicional e a Wicca, e elas são gritantes! Nesse ensaio vamos tentar esboçar um pouco das diferenças que conhecemos, mas nem de longe poderíamos aludir todas elas em absoluto, uma vez que os conceitos estão em constante descobrimento e mutação. 
Nós não temos interesse em dar um caminho para a bruxaria, mas sim, desde que tomamos posse de nosso legado, podemos deixá-la fluir. Podemos delinear a bruxaria Comum logo de início, e passaremos para a Tradicional e posteriormente para a Wicca, no intuito de apontar suas diferenças, na conclusão de que ela nasceu com o paganismo, infanto - tal como uma criança, e se desenvolveu na era cristã alcançando sua maturidade como uma arte e ofício imutáveis e sempre transformados.

BRUXARIA COMUM

A Bruxaria hoje em dia é uma sabedoria comum aos povos, ou no mínimo esses povos têm ciência de parte de sua existência, ou seja, diz-se daquela sem títulos ou conceitos adicionais que a defina desta ou daquela linhagem/vertente, nenhuma técnica aprofundada, e engloba uma série de coisas pertencentes à fé, o folclore e a vida do ser humano, tais como comportamento sócio-politico-histórico-cultural, habilidades, arte, dons e conhecimentos naturais, sem algum ‘dever’ sobre práticas de sistemas ou métodos, sem exigências de ‘transformação pessoal’ ou plano de caminho, metas, objetivos ou religião; é senão um sentir empírico e ao mesmo tempo um modo pelo qual se pode expressar aquilo que se pensa de si mesmo ou se faz, a fim de separar-se dos demais comportamentos humanos dominantes ou que já não condiz com a realidade atual pessoal, pois geralmente esta bruxa de que falamos aqui, se sente diferente em razão de seus dons “extraterrestres” fazê-la pensar e sentir-se assim. É um fenômeno cultural que abarca todos os países, assim sendo, um patrimônio da humanidade, e que fique bem claro que o sinônimo de patrimônio é ‘bens de família’ ou ‘herança’. Assim sendo, a bruxaria parece ser a herança espiritual da humanidade, e nesse contexto ela não pode ser institucionalizada nem legalizada, pois já tem por si, seus herdeiros natos, almas que reencarnam sem a obrigação do re-encontro, uma vez que este, é opcional, não imposto.

A bruxaria seria então um ofício habilidoso das horas de necessidade e a bruxa é a pessoa que contém este dom habilidoso em liberdade de sentir-se/reconhecer-se bruxa e fazer o que quiser e quando quiser do seu próprio jeito – às vezes provocando mudanças em tudo e em todos, às vezes atraindo coisas boas e ruins para si ou para os demais – com observações que dão um “start” na mente carregada de vontade, idéias e o coração cheio de sentimento ferido ou alegre. Essa pessoa bruxa sente uma inclinação forte por assuntos geralmente “estranhos” e místicos, por pensar de si mesma, capaz de pronunciar magia somente com “o acreditar em seu potencial” que parece ser a força motriz de seus trabalhos, ou melhor dizendo, de sua habilidade.
Ainda há uma bruxaria legada dentro da família, como no caso de uma senhora benzedeira que passa seus dons à sua filha antes de morrer, afim de que a filha possa continuar curando/benzendo as pessoas que antes procuravam a mãe.
A palavra bruxaria não era vista com bons olhos, principalmente no início da era Cristã onde havia subversões pelos primeiros cristãos dogmáticos, uma vez que encerrava outro contexto histórico e cultural fortemente influenciado pela política da igreja católica insipiente, mas, podemos confirmar hoje em dia, sem medo de errar que, uma benzedeira é também uma bruxa, independente de sua religião. As artes bruxas com seus inúmeros dons transcendem as religiões e os dogmas.

A história nos mostra que a feitiçaria esteve presente por toda a parte da antiguidade (ver Culto dos Crânios – 200.000 anos aC. – Alemanha/Steinheim), enquanto alguns estudiosos afirmam que a Magia teve seu berço no continente africano, mais precisamente no Egito, e de lá ela subiu no mapa indo para a Europa, onde se formou posteriormente (já na era cristã) sistemas mágicos herméticos e coesos criados pelos homens letrados que herdaram o dom da bruxa e o fundiram com os conhecimentos dos Magos constelares (cujos conhecimentos astrológicos provam a existência da magia antes disso e datam 28.000 aC – Cúpulas: figuração das constelações? Primeiro período da astrologia pré-histórica, sendo que, bem mais tarde, em 746 aC ., se deu o descobrimento do Zodíaco e a determinação dos solstícios [gnomon] por Anaximandro; em 440 aC Saturno foi descoberto: Filolau – Itália/Crotona; e 127 aC . Hiparco descobre a precessão dos equinócios - O zodíaco trópico) do mesmo mundo antigo que evoluiu e permitiu a existência das sacerdotisas dedicadas aos deuses pagãos (cuja origem possui registros arqueológicos que confirma a partir de 65.000 anos aC., com o início do neolítico europeu e o culto da deusa Terra-Mãe, deusas da fertilidade e deuses da tempestade [Creta, Tessália] ; 7.500 anos aC., com o início do culto da Deusa Mãe do mesolítico; e 7.000 – 3.500 aC – antigos europeus e o culto da Mãe-Terra e o tema do Eixo do Mundo etc., segundo Marija Gimbutas).

O Antigo e legítimo druidismo (descoberto por Júlio César em 52 aC ., bem como o esoterismo dos celtas, - Os druidas: De bello gallico) foi o pai (divulgador e não criador) de uma boa parte da Bruxaria pagã, e foram massacrados de 59 dC., a 61 dC., por Paulinus Suetonius, e o tema céltico só retornou em 1.665-1.840 com a onda da “celtomania”, onde J. Aubrey atribuiu os megálitos aos druidas (Inglaterra); enquanto que o Xamanismo foi a mãe (inspiradora) de toda religião (18.000 anos aC – ver desenhos em raios X ´: xamanismo segundo A. Lommel) e também teve seu retorno na era cristã em 1.667 quando Avvakum descobriu o esoterismo dos esquimós, os Angakut (cultura Xamã-Rússia). É certo afirmar que, em termos culturais, a bruxaria celta não sobreviveu sem uma radical transformação na era cristã, principalmente se houve algum registro, ainda que hermético, ficou no seio de alguma linhagem hereditária mascarada pelo misticismo dominante, com ou sem sincretismo. Um exemplo disso encontra-se na terra mais celta que ainda existe, a Irlanda, e ela é hoje totalmente cristã como se poderá notar mais adiante.

Os Sábios Etruscos apareceram na história durante o início do século I aC. (Tarquínio Prisco, A. Caecina, Nigidius Figulus) com o descobrimento do esoterismo da Etrúria, a estrusca disciplina e os arúspices, e a partir de 47 dC mantiveram então o colégio de eruditos etruscos em Roma com o nome de “A Ordem dos LX Arúspices”, até 408 dC, e como se pode ver, bruxaria sem esoterismo (com S) é bruxaria oca ou insossa.
Em 197 dC., Tertuliano explica a magia pelos demônios em sua ´Apologética´ (Cartago). Em 305 dC., surgiu a primeira onda de monges, entre os quais Evagrius Ponticus (Egito), e entre 312-438 dC o código Teodosiano condenou a magia, a advinhação, a astrologia e os ritos privados, ocasião onde as sociedades secretas surgiram, e permaneceram ocultas para não sofrerem perseguições, sendo que no ano 325, a lei de Constantino proibiu todas as práticas dos mistérios antigos, e em 451 se deu a condenação das sociedades secretas pelo Concílio de Calcedônia reunido pelo imperador Marciano.
Foi no ano 336 que a igreja colocou o Natal cristão na data de 25 de Dezembro, e em 391, a lei de Teodósio II proibiu todo tipo de culto pagão, e passou a evangelizar a Irlanda em meados do ano 435.

A perseguição declarada contra os feiticeiros iniciou em 829 e a inquisição em 1229. Prisciliano foi o primeiro homem a ser condenado à morte por heresia (Espanha), e em 1.280 o Papa Nicolau III ordenou que fosse queimada Abulafia, cabalista (Roma) e assim essa onda maluca de perseguições queimou, torturou e matou (em número absurdo) tanto leigos e inocentes quanto bruxas e feiticeiros, e durou até 1.965.
Helena Petrovna Blavatsky fundou a Sociedade Teosófica em 1.875; Papus em 1.888 lançou sua revista martinista e ocultista “L´Initiation” (França), e muitos outros ocultistas tentaram com êxito, fazer a magia sobreviver nos grandes tratados, sobre a máscara cristã da ciência, a fim de que não fossem perseguidos, e muitos foram.

Em 1.912 surge Augustin Lesage, um pintor mediúnico, e nesse mesmo ano O. Wirth fundou a revista maçônica Lê Symbolisme (França), que durou até 1.972.
As ciências ocultas tiveram seus artigos publicados nos jornais em 1930, ocasião onde surgiu A. Crowley: ocultismo, magia, magia negra (Inglaterra).
Esses autores e outros ocultistas envolvidos, bem como dados históricos e culturais, de conteúdo sábio legaram à bruxa que existe hoje, uma série de informações que pode e geralmente é utilizada pela bruxa comum. Os ocultistas também eram bruxos, desde que a palavra ‘witches’ significa ‘sábios’.
A bruxa comum é capaz de conjurar espíritos familiares e certos outros que a auxiliam sempre, em função e pela razão do dom legado a ela, e não tão somente pelos estudos ou desenvolvimento da prática insistente. Como a bruxaria não é uma religião, esta bruxa comum tenderá ou não, ter uma religião qualquer e seus princípios serão todos baseados em sua crença e filosofia, e é por isso que uma boa parcela deste tipo de bruxa professará um tipo de “caminho para o bem.

BRUXARIA TRADICIONAL

A Bruxaria (Craft) Tradicional é o caminho dos amaldiçoados que vivem no domicílio daquela que é Fogo, e ainda, leva a adição Tradicional no nome por conter em si, a herética gnose transformadora do homem de propósitos, pelo sistema funcional antigo dos Sábios, no qual, a estrada tortuosa queimará o sonho feito carne, diante da cruz verdadeira forjada pelo exílio do Dragão que, mata o tenebroso véu que separa a vida da vida, mudando de cara para cara, e faz a passagem aparecer bem aos seus olhos entre duas colunas aos pés de uma encruzilhada, bem no ponto central, como nuvem negra que sopra o alvorecer de dentro duma porta, ceifando seu Sol com os dentes da Serpente. O que jorra disso são os restos da verdadeira essência, que só podem ser vistos pela íris Serpentina dos amaldiçoados e heréges, como quando um quente deserto lança diante de ti, mais uma miragem real marcando sua testa cheia de ordálio da criança da Serpente, permitindo assim, um amplo espectro de trabalho no percorrer da trilha forquilhada mascarada pelo Santo e Diabo Pai de nossa raça.

A Bruxaria Tradicional não é uma religião, ela absorve a bruxaria comum, e vai mais além inclusive dos limites de um culto pagão, pois este entendimento está transcendido na divisão das “raças”, visto que o “religare” não é necessário para a nossa raça, uma vez que nunca estivemos desconectados de nossa origem iniciática divina e com isso, os cultos se tornam infundados, e nossa Arte é ainda mais misteriosa do que qualquer outra, de forma que em lugar algum você encontrará um livro ou pessoa séria que a explique ou a ensine sem comprometimento de tutela, haja vista que alguns dos livros, textos  - incluindo pessoas que tentam explicar sem ter sido perguntado (muito comum no youtube) – encontrados, apenas especulam com raso saber e arranham sua superfície com alguma maestria, porém todas as tentativas de aprofundamento são frustradas pela própria Arte Viva. Os livros existentes que contém alguma “parte mágica”, só podem ser entendidos por aqueles que carregam a marca do primeiro ferreiro e agricultor, e ainda, tais livros não ensinam os diversos sistemas e seu funcionamento “ao pé da letra”, uma vez que a tradição é e sempre foi (no seio da família) oral. Isso faz o leigo desistir do assunto e partir para uma outra busca, mais fácil na didática e que contenha um ocultismo superficial e banalizado, incapaz de penetrar na real barreira do Ofício da Arte Bruxa Tradicional, visto que, esses livros “fáceis”, são encontrados aos montes nas prateleiras das livrarias, e até mesmo no youtube, com promessas de cursos em revista, cursos on-line ou semipresencial, valendo-se de um merchandising cujo chamariz mercantilista é sempre do tipo que vende a propaganda sem entregar o produto certo, e o pior é que o consumidor não tem como mensurar se o produto é certo ou não, uma vez que sua ignorância o cegou pela promessa que encheu seus olhos e massageou seu ego, artimanha muito comumente usada por falsos mestres para captação de seguidores.

Os verdadeiros Grimórios de nossa Arte jamais cairão nas mãos da Raça de Abel, pois a entrega (tradição) é feita sob o formato aberto somente para aqueles da família do primogênito do Sangue-Bruxo. O Trabalho de um Crafter tradicional não anda em deosil, não segue o padrão da lei tríplice, muito menos se limita ao paganismo. Bruxaria pagã é tradicional para o paganismo, mas aqui entre nós, aquilo que te define te limita, portanto a bruxaria tradicional não pode se limitar ao paganismo, uma vez que os hereges não defendem bandeiras religiosas nem das eras, mas sim professam fatos históricos e lançam mão da artéria bruxa pela alameda hereditária.
A Bruxaria Tradicional marca o compasso em Um ponto que se divide em 4 acima e 4 a baixo, numa divisão local e atemporal, reforçando o ponto forte do solo divino onde se está, ao invés de configurar os quadrantes e lançar círculo de proteção com seus senhores e elementos norte/terra; leste/ar; sul/fogo e oeste/água, e o compasso se movimentará conforme o propósito ditado pelos Céus e pelas Estrelas Dragão.

Bruxos Tradicionais nunca utilizaram livro das sombras, e após a passagem não vão para summerland; não cultuam uma deusa e um deus cósmico, nem adoram entidades como seus superiores, mas reconhecem a Witchmother e o Witchfather e isso faz toda a diferença, bem como são reconhecidos os daimons e outros espíritos, todos como iguais e separados, e só por isso a BT é politeísta e animista; para o bruxo tradicional a relação entre os mundos é algo constantemente manifesto, e não dependem de tentativas ritualísticas para alguma conexão cósmica ou divinatória. A bruxaria tradicional não é um culto de fertilidade neo-pagão que acontece no seu quintal ou em jardins públicos, muito menos um encontro social onde se convida pela internet qualquer pessoa para participar.

As pessoas que tecem críticas nada construtivas em torno da Arte Bruxa Tradicional, só demonstram o quão estão distantes dela e de seu conteúdo, e isso se explica pela simples razão do desconhecido, por se tratar de uma pessoa de fora tecendo críticas sobre o desconhecido, por isso não deveriam tecer comentário algum, já que nada sabem e a ausência do saber nunca foi prova cabal de sua não existência. O encontro com o Cornudo, ou o Diabo se assim preferir, não é um rito sazonal.
Também não há necessidade dos Bruxos Tradicionais permanecerem Skyclad nos ritos sabáticos.
Os ofícios tradicionais não possuem apenas 3 graus; o Sabbath Tradicional não é uma reunião para rito sazonal, e sim uma dança diabólica preparada na panela de fogo do fio vermelho especialmente para levar-nos ao sabbath, onde a música faz uma maestra-visionária e durante essa dança ela se desloca na companhia do seu pássaro-oghamico em seu vôo, cavalgando a vassoura ou o cavalo de Jacó inglês, algumas preferem cavalgar uma mosca para irem até o sabbath, encharcada de prazer no espírito, e seguem a cavalgada extática e noturna porque não existem dogmas como os conhecidos pelas religiões, e assim o cheiro do salgueiro, a fragrância do freixo e o odor da bétula deixará um rastro no ar por onde a bruxa seguirá para o mundo Ctônico de Annwyn e voltará para casa ao amanhecer, após o encontro com o Homem Negro do Sabbath.

Me referi ao ofício porque todo ofício é um trabalho, e por todo trabalho tem de haver uma troca ou remuneração como forma de pagamento, principalmente para não se perder o dom, como é o caso das oferendas que proporcionamos em moeda de compra do poder bruxo de um espírito. Não cobramos dinheiro de um irmão pela educação da Arte Bruxa iniciática, apenas valorizamos nosso dom e arte quando se trata de um ofício, como é o caso também das consultas oraculares para consulentes que buscam na bruxa, um norte ou uma cura.

As mudanças das quatro estações também são observadas, mas na Bruxaria Tradicional nenhuma vida de divindade é celebrada. A lua e suas fases são respeitadas, bem como os movimentos planetários; e magias – feitiços - sacrifícios animais e maldições são praticados sem nenhuma lei ou ética que os impeçam ou proíbam de fazer. Bruxas e espíritos trabalham juntos em consonância e ressonância como uma equipe, porém sem o sentido de culto espiritual, pois não há adoração, e sim igualdade e separação. Os Bruxos Tradicionais observam todos os ritos de passagem e, em seus Covines, a liderança está nas mãos do Magister, que tende investir nos dons dos demais, porém não de forma hierarquizada, pois a liberdade, a honra, a responsabilidade e tomada de consciência e escolhas, pertence a cada indivíduo.

As iniciações e ascendências da gnose ultrapassam a horizontalidade e verticalidade, pois o próprio mistério do Nous, na maioria das vezes inicia a bruxa nele a partir da abertura pelas chaves certas do Azoa e pelo Fio Prateado; Crafters Tradicionais não estão presos a uma só “linha” do Fogo Sábio, mas mantém a linhagem da transmissão bem registrada no relâmpago do Hierofante e no Sangue Luciferiano; a transformação é de fato “endo-céfalo-caudal” e não apenas no consciente/inconsciente psicológico desperto tido por alguns como mente profunda; o segredo é absoluto-pleno-impositivo e é garantido pela própria Arte Tradicional, haja vista que ela tem vida própria, sem a necessidade de sermos controlados militarmente por outro ser humano; a sacralidade está dentro e fora de cada coisa existente, do micro ao macro-cosmo.

Sábios Tradicionais são a raça caída do Céu e não precisam posar de bonzinhos nem seguem um padrão mascarado de virtude só para fazer a política da boa vizinhança com alguém, eles são o que são e não estão interessados nem dão importância demasiada em muitas coisas das quais outros(as) bruxos(as) dão valor; nossa Arte é fluída e funciona do jeito que é, e engloba qualquer outra Arte e tanto faz se quem irá percorrer a encruzilhada é pagão ou cristão aqui na Terra, geralmente este último no sentido herético literalmente, irá expandir o conhecimento que lhe foi legado pelos antepassados e ancestrais.

A Tradição do Craft Clássico é como o segredo da virtude Herbal, jamais será conhecida pelos de fora da Arte, e sua sabedoria está bem guardada no Monte da Rosa, no Inferno e dentro do Sangue de cada irmão iniciado e introduzido formalmente.

É por esta razão que ela subdivide-se em correntes argilosas que vão do barro a refulgência do Sol; do Folclore ao Hermetismo; da Arte de Cochrane à Via Sabbatica; da Via Draconis à Serpente Vermelha Flamejante; da VMD à VME; do Caminho dos Oito Ventos à Via Nocturna; das Runas ao Akelarre; compreendendo outras unidas pelo amor em seu centro, e dessa forma o vôo da bruxa tradicional estará sempre seguro, pois todo mundo teme a não-compreendida hora da caveira combustiva, hora esta, que todos nós cavalgamos no segredo dos mortos das terras nativas, na companhia do Chifrudo das belas e livres Terras de Elphame.

A bruxaria tradicional não é um culto pagão marcado pela junção de culturas com divisões no mapa entre países célticos e ibéricos, nós bruxos tradicionais não precisamos justificar a origem de nossa arte bruxa usando a carta geográfica para afirmar de onde veio nosso literato bruxo, nós temos o sangue, o mesmo sangue bruxo que não gosta de aparecer na Tv, no youtube, que não gosta de convencer ninguém mas tão somente considerar que sua verdade não é melhor que a nossa. Não gostamos de nos mostrar, nós ficamos em segredo, como fizeram nossos antepassados, por isso sobrevivemos até hoje, e nossa descendência irá fazê-lo igualmente. Nós passamos despercebidos pelas massas no dia-dia, e só quem possui a marca pode nos reconhecer. Nós, enquanto pessoas, não saímos por ai dizendo que somos possuidores da cultura pagã de um país inteiro somado com outro, pois isso no mínimo cheira a fraudulência da new age. 

Bruxos tradicionais legítimos são possuidores do legado hereditário, coisa que se passa de família bruxa para família bruxa, não de um bruxo para um não-bruxo.

WICCA

A Wicca é uma religião para e de sacerdotes/tisas pagãos, e contém bruxaria reivindicada e redesenhada por Gardner nos meados de 1950/60.
Como toda religião, a Wicca possui uma estrutura definida com um calendário motivado pela roda do ano, sendo Esbás, os ritos realizados nas diversas fases da Lua crescente, cheia, minguante ou nova, de acordo com os trabalhos mágicos a serem realizados; e Sabás, os ritos com datas pré-estabelecidas, cujas marés de energia e ciclos sazonais refletem entre si. Refletem-se entre si nos ciclos anuais, e apóiam os dramas dos Mistérios.

O ritual é tanto um meio de culto quanto um método de comunicação e conexão com as deidades ou espíritos. É uma linguagem simbólica que permite acessar outras dimensões ou estados de consciência. São eles os já conhecidos Sabás e Esbás, além dos ritos reservados a determinados graus, que dependem exclusivamente da presença físico-corpórea de cada membro, a consagração da água e do sal, a admissão dos membros dentro do círculo, a purificação dos membros e do círculo, a invocação dos Deuses e Guardiões, a elevação do Cone de Poder, a consagração dos bolos e do vinho, e finalmente a abertura do círculo, entre as outras práticas esotéricas. Tais rituais quando praticados apropriadamente enaltecem e enriqueci-nos espiritualmente.

A Egrégora é uma corrente compartilhada de energia que é somada e atraída por todos os iniciados. Isso se dá através do culto as nossas divindades – o Deus Cornudo e a Deusa da Lua, ambos cósmicos, e a invocação de seus nomes secretos.
Os Dogmas são cada um dos pontos fundamentais da crença religiosa wiccana, que vivenciados pelo adepto se tornam matérias de fé. São eles: O Deus e a Deusa que são as fontes geradoras e transformadoras de Todas as Coisas. A Wicca é uma religião natural que tenta fornecer um equilíbrio entre o Masculino e o Feminino em seu conceito de Deidade. Na religião Wiccana são cultuados o sexo e a morte. A Deusa no sexo que promove a vida, e o Deus na morte que promove o renascimento pelo amor. Ela na matéria é tudo o que existe e ele no espírito representa tudo o que está oculto/incompreendido pela mente humana.

Os ritos estão divididos entre os solstícios e os equinócios, os quais os primeiros marcam a capacidade da luz sobre as trevas e vice-versa (verão-inverno: dia maior que a noite; inverno-verão: noite maior que o dia), e os equinócios marcam o equilíbrio entre luz e treva permitindo que dia e noite tenham o mesmo tempo de luminosidade e escuridão. A reencarnação é a crença no renascimento de uma alma no plano físico após a morte. “Assim como é em cima, também é embaixo”. Este ensinamento aborda a dimensão física como um reflexo de uma dimensão não-física superior. Tudo o que existe no mundo físico foi antes uma forma de energia numa dimensão superior que acabou por se manifestar no mundo da matéria física. A expressão física dessa forma ou conceito se torna mais densa (em todos os aspectos) à medida que penetra na dimensão física, e ainda assim reflete o conceito básico do princípio superior. “A Criação é da mesma natureza que o Criador”. Eis por que, na teologia Wiccan, a Natureza é vista como o Grande Mestre e por que a Wicca se baseia na reverência à Natureza. 

É através de nossa compreensão da Natureza e de suas características que poderemos compreender os métodos dos Criadores que a tudo originaram, pois a natureza dos Criadores é refletida em suas criações. Lei Tríplice é o conceito que os wiccanos crêem que tanto as energias positivas quanto as negativas retornam (em aspecto semelhante) àquele que as originou. Como “lei”, esse ensinamento diz que “tudo o que fizer retornará a você triplicado” (aspecto punitivo). Muitos Wiccan vêem a Lei Tríplice simplesmente como um princípio de “ação e reação” semelhante às Leis da Física, mas ela é tríplice em razão de que, o seu retorno atingirá os três corpos (físico-astral-espiritual). Reza um antigo ensinamento Oriental que o corpo humano contém zonas de energia – os Centros de Poder. 

Wiccanos não chamam estes centros pelo nome original Chackras, muito utilizado pelos adeptos da magia religiosa Hindu. Esses pontos podem ser acessados para gerar poder pessoal com a finalidade de magia. O grau de vibração desses centros, bem como a harmonia entre eles, cria um campo de energia ao redor do corpo humano conhecido como aura. A aura é a representação energética de quem e o que somos. Quando conhecemos alguém e imediatamente sentimos empatia ou antipatia, estamos respondendo à energia da aura. O poder é gerado em nós e também vêm dos deuses, elementos e espíritos. Todos os neófitos, a partir da iniciação cuja fonte de transmissão de poder é somente horizontal, tornam-se sacerdotes wiccanos, o que os possibilita exercer as funções sagradas, de acordo com as elevações de grau recebidas. 

Além de se tornarem responsáveis pela instrução dos novos membros. O Sacerdote/Sacerdotisa têm acesso pessoal, direto e irrestrito aos nossos Deuses. Esta função traz a imprescindível exigência da vocação, que pode se traduzir em servidão, doação e confiança. A Wicca contém 3 graus iniciáticos, sendo o primeiro grau a iniciação e os outros dois são elevações de grau. O trabalho todo é feito em Coven de até 13 membros e é absolutamente regido pelo Livro das Sombras.

Por Sett Ben Qayin

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