terça-feira, 6 de maio de 2014

O Bruxo Bem Resolvido




Para um bom entendedor, o pingo do i Encerra, as guerras!

Aviso: Esse artigo também é para leitores de livros, nem só para Bruxos.

_Parece que algumas pessoas que clamam para si o título de bruxos, se esqueceram da lição cuja premissa é do prezinho da magia, que é o Saber, Querer, Ousar e Calar!

Nos últimos dias temos visto uma amplificação de guerrinhas de bruxos, gente que briga por causa de facebook, por causa de internet e em seguida grita pros 4 cantos do mundo sua intenção e ameaças por feitiços. Cada qual se mostra como poderoso e a boca reproduz aquilo que ele quer acreditar o tempo todo. Mas qual seria o real poder? E qual é o poder de um bruxo bem resolvido? Eu sei, é redundante dizer “bruxo bem resolvido”, uma vez que a palavra bruxo significa “sábio”, e obviamente um sábio tem obrigação de ser bem resolvido, mas no dia-dia não é o que vemos por ai.

Eu não tenho nada contra quem gosta de se enfeitar ou se fantasiar diariamente, aliás penso que é bonitinho, criativo e bastante pueril, mas é uma “maquiagem de roupagem” e observem que bruxos tradicionais reais não se comportam com enfeites fora de ritos, não usam a internet nem a rua para se expor como bruxos “phodões”, não andam por ai com pentagramas no pescoço (parecendo discos estelares), assim como ciganos legítimos (falo dos Rromáh/ciganos tradicionais) não se vestem de ciganos, não usam lenços na cabeça (até porque o lenço era usado para conter o suor que escorria na testa e há 2 ou três linhagens Rromáh que se utilizavam do lenço somente), e tanto o primeiro quanto o segundo não usam roupas de seda brilhantes para chamar atenção ou se mostrar fora do ambiente próprio, íntimo e festivo, muito menos se comportam como o cara feio que tem necessidade de se maquiar para que consiga ver algo belo nele mesmo, pois isso seria um insulto à sabedoria de qualquer Arte Mágica que visa se livrar das vaidades, que visa a humildade, a simplicidade, não a ostentação.

Como tal, bruxos tradicionais não sentem a necessidades de serem reconhecidos por ai, não defendem bandeiras religiosas e estão o tempo todo compromissados em ver o lado bom de tudo, não o lado feio de tudo, já que, se você é compromissado em ver o lado defeituoso e feio, é defeito e só defeito que você irá enxergar. O trabalho com a sombra, além de ser individual e se limitar a esfera única de si próprio para o uso em autoconhecimento, é o suficiente para ver seus próprios defeitos e feiuras, sem o compromisso de ver a dos outros ou de se importar (ou incomodar) com a dos outros.



A Arte faz artistas e assim como um artista não deve ser julgado por uma única peça, não se deve julgar ninguém, pois nesse grande palco da vida, somos todos a semelhança da divindade atuando como uma personagem para cada capítulo da peça Vida, e assim se um bruxo não é sincero, ele será seu próprio diabo, seu próprio adversário, e isso afetará todo o seu “chamado” por deuses e ancestrais. Um bruxo, por crer na premissa iniciática de uma nova vida, pareado ao conceito da reencarnação, presta atenção e devido respeito à seguinte questão: “O que eu quero carregar para a próxima vida e quais são os acúmulos de ações (karmas) que me seguirão?”. Uma iniciação, como tal, é também a separação de sua vida anterior e a promessa de uma nova vida, portanto, a pergunta é:

“O que é que eu tenho de mudar em mim mesmo para não carregar a mesma vida para a próxima?” A iniciação é um divisor de águas, o iniciado se divide no antes e depois da iniciação.

Mas porque eu estou abordando tudo isso? É pelo fato de que alguns supostos iniciados estão subestimando a capacidade de percepção séria que temos sobre o comportamento de um iniciado verdadeiramente legítimo e compromissado com a mudança de si mesmo a fim de oferecer mais de si, e o melhor de si, para o mundo. E vemos “palavrões” de baixo calão, intenção de ofensas, ameaças reais, acusações infundadas e projeções de suas frustrações em qualquer pobre diabo que se ponha em sua frente, irritadiços por pouco motivo, estressados por nada, e ao mesmo tempo ostentando um luxo viscoso nas suas vaidades mostradas em ambiente virtual, produzindo “guerras de pérolas”, daquelas que já se sujaram na lama dos porcos profanos, que jamais levaria um iniciado para onde um iniciado tem que ir.

Infelizmente ou felizmente eu soube da tentativa de ofensas e ameaças direcionadas por uma pessoa que se autodeclara bruxo e iniciado, em desfavor de uma de minhas mestras, quiçá uma das mais importantes entre todas. Por que eu usei o termo “tentativa”? Simples, porque é impossível esse indivíduo atingir realmente uma pessoa tão acendida e de tão firme caráter como é a minha Mestra e Iniciadora em questão. Eu tomei as dores? Não! Não tomei as dores porque ela é capaz de se defender sozinha em sua sabedoria (quando há uma real necessidade de defesa), apesar dela nunca estar sozinha em causa alguma, e não está mesmo! Quero lembrar aqui que a ameaça não foi feita e dirigida somente à ela, mas para toda a família bruxa dela, e isso me inclui, e eu agradeço pois sem esse prenúncio, esse artigo não teria nascido.

Caríssimo autor dos prenúncios, eu preciso trazer nessa elucidação a etimologia da palavra arrogante. Arrogante significa aquele que chama pra si algo que não lhe pertence! E no caso em tela, não lhe pertence o poder de afetar à ninguém dentre a família mágica a qual me incluo, e estou dizendo isso numa boa, sabe porque? Porque nós lhe queremos bem.

Mas por que usei o termo “felizmente”? É porque isso me trouxe a reflexão que nasceu e fiz constar nesse artigo tão gratuito e abundante quanto tudo que há no universo. Veja pela extensão desse artigo, é abundante né?

Por mais que uma pessoa invista contra um desafeto, que no caso figura uma bruxa clássica real e legítima, muito séria e compromissada com as convenções da arte iniciatória tradicional, cuja maestria é conhecida internacionalmente no meio de bruxos sérios que possuem linhagem e tradição, por mais que uma pessoa invista contra seu desafeto, sabemos que está investindo contra si mesmo (o seu real desafeto), que no caso foi projetado para a bruxa em questão. Você não consegue trair uma pessoa que expandiu a consciência para além dos limites do significado da traição! Você não consegue causar dor em alguém que expandiu para além dos limites da dor. Você não consegue ter poder contra quem não te dá poder algum! E isso, bem, achávamos que você (por se afirmar um iniciado) saberia! Mas não importa, agora você sabe!



Quando o terreno é o do treinamento com vínculo iniciático, há o legítimo direito (por falta de expressão melhor) em haver qualquer tipo de desentendimento, que vai desde o questionamento de tudo, até a compreensão e seu real benefício. Encruzilhadas e exílios existem para isso.
Mais abaixo vou “tentar” explicar as razões da forja do caráter ocorrer no exercício de uma batalha interna. Digo “tentar” porque por se tratar de conceitos mutantes, a verdade sobre a explicação mudará em breve, com toda certeza.

Mas quando o terreno não é o do treinamento (e obviamente sem vínculo algum), os iniciados díspares, encontram o verdadeiro pano de fundo do ambiente onde ele pode e deve aplicar tudo o que aprendeu até o momento, e é justamente por essa razão que venho chamar atenção das pessoas brilhantes, para notar que um iniciado que faz suas lições iniciáticas, esotéricas, herméticas, ocultas e individuais, jamais se envolverá em nenhum tipo de disputa, guerra, briga, desfavor ou seja lá qual for o nome que se dê para aquilo que anda na contra mão da edificação pessoal, individual, espiritual e transferível. Nesse sentido, me incluo no hall dos que não se envolvem, deixando apenas as reflexões contidas aqui no intuito do bom exercício, reflexão, aconselhamento e lembrança dos demais leitores, a fim de que façam uso de seu livre arbítrio que está voltado para a edificação.

Se você conhece um bruxo briguento e que mantém como seu comportamento o painel esdrúxulo da vaidade como cela adestradora de sua iniciação, está na hora de rever para quem você dá poder, está na hora de rever o que realmente você espera encontrar num ser notoriamente antiedificante, desde que, aquilo que a bruxaria é para um arquiteto do Ser, a feitiçaria é para o mestre de obras do Ser. O ser humano na ânsia de ter, deixa de ser.
Então a pergunta é: Como você aprenderá a se construir e a construir seu futuro ao lado de alguém que só fornece o que tem, e o que ele tem é justamente a deficiência do cimento mágico e do metal puro dos bruxos e magos?

Todo mundo quer ser bom, todo mundo quer estar certo e se esquecem de que já nasceram bons e estão certos, desde que a verdade universal é individual, mutante, multifacetada, passageira e fragmentada. Já ouviram falar de Paralaxe? Paralaxe significa alteração e é um termo muito usado em astronomia. É a alteração aparente de um objeto contra um fundo devido ao movimento do observador. Esse termo nos remete a permissão que nos damos para ver todos os outros ângulos de uma situação e considerar a plenitude das verdades alheias, sem se limitar somente à sua verdade. (com + siderar = estar com o céu).

Quando você muda por dentro, todo o seu exterior muda com você. Quando você consegue mudar o modo como vê as coisas, essas mesmas coisas se tornam belas e isso é mil vezes um trabalho feiticeiro.
Num é verdade que somente os que conseguem ver beleza no feio, beleza na morte, beleza na sombra, conseguem enxergar o que está por trás dos véus do bonito, da vida e da luz?

Jung dizia que o estranho é que as pessoas más frequentemente são perniciosas porque estão tentando destruir o mal fora delas mesmas. O problema é que elas erram o loco do mal. Em vez de destruir os outros, elas deveriam estar destruindo a doença chamada “mal” dentro delas mesmas. Como a vida muitas vezes ameaça sua autoimagem de perfeição, elas estão sempre envolvidas em odiar e destruir a vida, geralmente em nome do puritanismo e do pseudo puritanismo.

Na mesma linha de pensamento temos a seguinte afirmação de Joseph Campbell: "Quem é incapaz de compreender um Deus, o vê como um demônio", e isso é o suficiente para se “comprar” uma guerra fora de você.
Bruxos tradicionais sabem que não há inimigos fora deles mesmos, e sabem que “inimigo” é um cargo muito poderoso para se dar ou para se eleger à qualquer um. 
A visão distorcida se dá quando você só enxerga aquilo que quer.


O julgamento mora no ego (ego antes da teoria de Freud) e o julgamento faz Batalhas, e elas são extremamente importantes para a forja do caráter, mas eu não falo das batalhas externas, pois essas são só reflexos do seu mundo interior. Eu falo das batalhas que você trava dentro de si mesmo, pela causa do pensar, por causa de tanto julgar, criticar e não aceitar tanto a si mesmo quanto aceitar o outro como ele é. Um bruxo bem atento observará que Marte está retrogrado (pra início de conversa), e não é indicado colher bons frutos de guerra nessa fase porque são escassos, essa é mais uma razão pela qual deveria se silenciar e manter-se na inação ao invés de investir ofensas ou criar brigas, uma vez que não há vitória para quem começa a briga, além de que, em “brigas” de bruxos, se perdem os dois lados, e perdem-se os dois lados.

A veracidade é que quando você conquista aquilo que a magia interna pode obter para você, as lutas desaparecem. As renúncias e a verdadeira beleza da renúncia se torna o fator determinante para a vitória contra seu pior inimigo (você mesmo), e essa renúncia só aparece para iniciados quando eles estão prontos para trocar de pele, ou de pelo. O Chi Universal se desenrola como um DNA, é hereditário para quem pertence ao Universo, e ele está em constante movimento e mudança. Diante das maiores batalhas está a porta para o desastre, a destruição e a catarse.

Então agora você está pensando "eu quero mudar, eu preciso mudar, mas não sei como". Experimente ficar Um Ano sem brigar com ninguém! E no ano seguinte repita esse exercício:

- sem brigar com você mesmo;

- sem brigar com os outros;

- e ficar bem com isso. Aprenda enaltecer e a lançar todo mundo num universo de energias positivas, permita que elas cresçam junto com você.

- aceite desafios e veja sempre o lado bom disso. O mundo é feito do balanço natural das coisas e passamos muito tempo impondo as nossas feiuras para o mundo sem nos darmos conta de abraçar a realidade linda e natural que nos cerca. Tudo o que o dono lançar para fora voltará para o dono, você atrai a mesma frequência que você emanar.

Então chega de guerras e implicâncias inter pares.

A comunidade bruxa deveria ser unida, com suas totalidades, afinal de contas, já tem gente suficiente lá fora que quer reinventar a inquisição, não podemos tolerar uma inquisição de bruxos contra bruxos. E que fiquem de fora os que não concordam com a união, vos desejo boas colheitas.

Bruxos(as) estão aqui para curar o mundo e as pessoas. Enalteça todo mundo independente de cor, credo, raça, etnia, orientação sexual e verdades filosóficas etc. Vivemos no mesmo planeta e todo mundo está certo aqui! Então diga: “Aguarde ai um pouco, que eu vou sair de mim para ir ali fazer um bem maior!” Ao invés de clamar que lhe roubaram a ideia, que plagiaram sua frase, ao invés de sentir ciúme, deixe que a abundância de sua criatividade viva no outro, para estimular o outro como se faz. E que ele aprenda como se faz, copiando o que você fez! Você sempre terá ideias originais porque você é possuidora da fonte. Não vamos ser mesquinhos!

Inclusive, compartilhem essas ideias. Usem para edificar alguém, nada é injusto. A ideia de Injustiça só atrai egoísmo. Não é injusto você compartilhar ou copiar e beber de uma fonte, isso é magia mimética (inclusive!) E é uma das formas que atrai transformação.



Se é que o mal existe, ele não parece nem feio nem bonito e podemos afirmar que todo mal se aniquila entre si e se aniquila ele mesmo. Minha família é e está segura, feliz e em constante crescimento, pois marchamos e vivemos sobre solo fértil, não estéril. Antes de despertar a ira de uma divindade, é práxis tradicional se perguntar: “qual é o propósito disso?”, ou então, o que isso vai me trazer ou acrescer?

Com exceção de raros casos, o caráter não pode ser desenvolvido na calma e na tranquilidade, pois o desenvolvimento pessoal e o desenvolvimento do caráter andam de mãos dadas e ambos tratam-se de um exercício. Depois das tentativas e sofrimentos sua psique será fortalecida, a visão clareada, a mente expandida e a realização mudará o passo interno.

A palavra feitiço significa “ação sobre o futuro”, logo, você constrói seu futuro com ele, e lhe digo que, o melhor feitiço é aquele que você lança dentro de si mesmo e sobre si mesmo, para mudar a si mesmo, para trocar de pele e permitir que as mudanças ocorram positivamente, haja vista que a vida não é uma estabilidade, mas sim a completa instabilidade e por isso mesmo o pano de fundo muda a todo instante.

Há uma aliança entre a bruxaria e a feitiçaria, e o dedo que veste essa aliança chama-se magia, a verdadeira magia, aquela que acontece dentro de nós, quando lançamos o feitiço para dentro e não para fora de nós, a liberdade provem disso. É a transformação da quintessência. Isso chama-se transformação! Palavra muito em voga por sinal, também propagado nos campos de mentoring, coalching, teoria U, adeptos da aproximação positiva, conjectura da Louise Hay, doutrina do Deepack Chopra, proposição do Segredo e a lei da atração, e em qualquer ramo que pratique a eudaimonia, etc. Trata-se de um poder de controlar a si mesmo depois de conhecer a si mesmo ou vice-versa.

Você não pensa na próxima respiração, ela simplesmente acontece! É com essa mesma certeza que se atrai a “coisa boa” e a “coisa ruim”, e tudo dependerá da sua sintonia, da sincronia do seu coração. Pare e pense: Quando você está irritado, seu coração não está em um bom lugar, logo, você doará essa energia que tem. Você quer realmente dar isso? O efeito bumerangue o trará de volta para você. Isso pode afetar seus três corpos (físico ou mental ou espiritual) mais usados pelos bruxos, mas pode afetar outros corpos menos usados e menos conhecidos. Talvez afete num plano tão sutil que você nem perceba o quanto lhe afetou, só poderá dimensionar os estragos após alguns anos mais tarde.


A igualdade é uma coisa bem interessante. Quando você se iguala a alguém, você se transforma nessa pessoa, e essa pessoa se multiplica, portanto não pode habitar duplamente o mesmo lugar. Essa pessoa é desafiada a mudar, porque você se mudou nela. Disso nasce um choque transformador pouco compreendido pela maioria.

Sabe, a calma é uma tinta autora, ela está para os iniciados como o tom cristalino está para a água pura. Ela purifica, lava, evapora-se e chove novamente, ela põe em ordem as forças internas do seu “fluxo e refluxo”, para compensar o que o desordenado movimento dispersa. Em grande parte, uma vida feliz é uma vida tranquila, desde que o verdadeiro prazer é encontrado na atmosfera da calma. Para amar de verdade há que existir calma, pois o amor se perde fora do alívio. 

A demasia parece ser uma veracidade que perdeu a calma. Bruxos que brigam todos os dias, todos os meses ou todos os anos, não podem considerar que estão fazendo o trabalho de iniciados verdadeiramente, pois estão mostrando para si mesmos que ainda estão envolvidos com a vaidade, com o barro que suja as águas, com o ego, com as coisas materiais, mundanas ou profanas e consequentemente estão se deixando comandar pelo que vem do exterior, estão se esquecendo de olhar para dentro de si de novo, para o paraíso do iniciado. Não se deve ter um currículo de coleção de guerras, não se deve culpar ninguém. A culpa e a injustiça não existem, assim como o pecado, são todos uma invenção para controlar a humanidade, porque a humanidade (em algum ponto) se mostrou incapaz de ser madura e por isso tinha necessidade de ser controlada, no que chamamos de controle das massas através de ideias oriundas de religiões de massa.

Todo mundo deveria lembrar antes de afirmar verdades dogmáticas (e se lembrar que verdades dogmáticas se difere de verdades perenes), que a bruxaria (witch + craft = arte dos sábios) além de ser um patrimônio universal e público é também uma linguagem falada e ouvida por bestas, pássaros, humanos, fantasmas, espíritos, planetas, demônios, ancestrais, terra, elementos e deuses de todos os tipos de todas as culturas. Logo, deveriam romper as barreiras tempestivas do ego, da hubris e da psique, com a ideia de que língua é diferente de linguagem, e esta se difere do idioma, de dialetos e léxicos, e que nós podemos dizer a mesma coisa de maneiras diferentes a você e você sem dar crédito algum, e de repente aparece alguém que “fala a sua língua” e dá o mesmo recado...então você diz: “nossa, mas que coisa maravilhosa, nunca tinha escutado isso antes!”. Será um banquete para você.



Portanto, para ouvir e escutar alguém é preciso ser um bom líder de si mesmo, já que um bom rei é aquele que ouve seu povo. Ouça seus instintos internos que descansam na calma. Para compreender o que o outro diz, não basta se pôr no lugar dele (empatia), não basta só calçar os mesmos sapatos (até porque um remédio bom para você pode não ser bom para o outro e a insistência em falar calce os mesmos sapatos para um ouvinte que tem o pé maior que o seu soa no mínimo como a cama de Procusto), é preciso enxergar a intenção que está por de trás daquilo que foi falado e manter o coração sincronizado, dessa forma você liga mente, alma e ouvido, na frequência igualmente! Para cobrar algo de alguém, primeiro ensine! E esteja preparado para dar o suporte e o crédito necessários após o seu aprendiz sair da encruzilhada.

As pessoas não são formadas de opiniões. Eu não sou a opinião que você tem de mim, pois isso me limitaria à sua verdade dogmática. Não pense que você me conhece melhor que eu mesmo.

Se até os verbos são flexionados, porque o seu deus interior não o seria? Desde que Deus é o Verbo! Essa é a gramática da arte.

Eu atino que a dimensão do esdrúxulo aumenta quando se enche uma pessoa com adjetivos ou tantos predicados. É desnecessário afirmar para alguém que ela é uma pessoa amorosa, bondosa etc. Se você viciar essa pessoa a se autoconhecer somente pelos predicados que você dá à ela, ela se renderá à você porque confia e então um dia ela vai se ver como ela realmente é, e a sua opinião sobre ela não terá ressonância, não encontrará espaço nela, e aquilo será somente uma opinião, um predicado, um adjetivo, um jeito de manipular pra agradar a pessoa antes de dar um fumo. Exemplo: Você é uma pessoa bondosa, mas está em busca do amor. 

Alguém está afirmando que você não tem amor, que você está em busca e não conhece o amor. No entanto, casamento não é prova de amor, as pessoas casam e descasam o tempo todo e pelos mais diversos motivos. Na natureza temos o exemplo dos animais, eles se unem, se acasalam ou não, se acompanham ou não, com quantos iguais quiser, e quando você está doente, o cachorro de estimação é o primeiro a vir lamber suas feridas e lhe fazer companhia. Amigos verdadeiros sentem amor um pelo outro e não são casados. E assim o amor se desdobra em sua plenitude sob variadas formas. O amor é a ligadura, é o que liga os 3 chackras superiores com os 3 chakras inferiores, e eles se encontram no coração, o local exato onde mora o amor. Ninguém pode explicar o amor pela razão, desde que no que consiste o amor, não há espaço para a razão, da mesma forma que não se explica Deus pela razão.

Quando você está dirigindo um veículo em alta velocidade e em sua direção vem vindo um outro veículo em alta velocidade, um dos dois terá obrigatoriamente que reduzir ou até mesmo frear, para não colidir, caso contrário o estrago será enorme. Assim também é quando duas pessoas se desentendem, elas vão correndo na direção umas das outras para se colidirem sem propósito algum. Então faça a seguinte equação:

Ao invés de ir De encontro, vá AO encontro!
Quem vai De encontro, vai pra trombar de frente e colidir.
Quem vai AO encontro, vai pra se encontrar.
Não se apresse em se colidir.

E já que uma das primeiras lições na Arte é ensinada para Manter as palavras em BOA ordem, para cuidar do que vai falar, desde que sua palavra TEM força e irá atrair (ou banir) para você, a energia que você emanar no Universo. O Universo não trabalha ouvindo exatamente o que você diz, mas aquilo que você emana, seja com palavras, seja com emoções ou sentimentos. A vibração de uma palavra faz a energia ecoar no mundo. Vide os mantras ou os vícios de repetição, padrões repetitivos todos os anos, pessoas que brigam todos os anos no mês de julho por exemplo.

E mais, bruxos não afastam de si aquilo que eles não gostam. Bruxos conseguem ver beleza naquilo que o senso comum acha feio. Afastar de si aquilo que você não gosta é o mesmo que se diplomar no fracasso do trabalho com as sombras. Bruxos não vê feiura fora de si mesmo, vê beleza, gentileza, graça, conforto e cura. A verdadeira cura não foi inventada pelas leis das coisas que adoecem. A cura já está entre nós há muito tempo, respire ela, pronuncie ela.



Obara Meji nos deixou o ensinamento de que a língua elevou o Homem, e a mesma o destruiu. Por tanto, cuide para manter suas palavras em boa ordem! São suas palavras dada à um feitiço ou magia que determina o sucesso, a concretização e a realização = os resultados. Se você mente e não acredita em sua própria palavra dada, então nem a sua magia acreditará na ordem dada pela sua palavra. A palavra é o veículo mercurial de qualquer crença ou poder.

Luz e sombra andam juntas: se tudo fosse trevas seríamos cegos, se tudo fosse luz seríamos cegos também! O balanço natural das coisas, o yin e yang precisam existir, pois sem eles não estaríamos aqui, já que é ele quem permite o ambiente natural onde tudo pode existir e coexistir, próprio para haver vida. O planeta terra está entre Vênus e Marte, a Terra está exatamente no lugar onde pode existir vida, o lugar do Amor.

A Maldição não é treva. Maldição o próprio nome já fala por si: Mal-Dição ou seja, dizer mal, mal falar, difamação ou palavra que contém carga ou intenção de prejuízo, avaria, detrimento, lesão, perda, dano etc.

A cura para qualquer dor é abrir a mão. Quando abrimos as mãos, nela cabe todo o universo ilimitado. A maioria das pessoas fecham as mãos, ficam agarradas à dor e esse será o pano de fundo de um universo limitado e triste. Abra suas mãos, mente e coração....e verá diante de si o tamanho do Todo e a sua verdadeira altura (ou o seu tamanho) se mostrará a você e a quem mais tiver olhos pra ver. Por isso, não misture as coisas, diga não ao sincretismo. Diga sim para a sincronia. Lembrando que colcha de retalhos (ou mistureba eclética) é como a criação monstruosa do doutor Francês. "Quando as tradições são diferentes, somos antes tentados, a estabelecer equivalências que, no fundo, não se justificam, pois fazer sincretismo não é nada tradicional." - René Guénon (A Grande Tríade). É desproveitoso usar fundamentos de uma religião que contém feitiçaria, para justificar a própria feitiçaria.

O bruxo bem resolvido está para a segurança de quem ele é e qual o papel dele no mundo, na mesma proporção do que ele tem para doar de si mesmo, por isso ele está constantemente ocupado em mudar a si mesmo, ao invés de mudar o que está além de sua própria pele. O fato é que um líder de si mesmo não sabe por que ele lidera. Ele simplesmente lidera, porque ele PODE! Não é verdade que a sincronia é o elemento que une e atrai pessoas e coisas? Pois bem. Quando os corações estão sincronizados, eles se ouvem um ao outro e se comunicam incessantemente. Quando os corações não estão em sincronia, as pessoas tendem a dominar umas as outras, e elas não ouvem umas as outras. No domínio, uma pessoa sempre está (mesmo sem querer) provocando o detrimento da outra, a inferiorização da outra. Na sincronia, ambas caminham juntas e uma faz a outra crescer juntas em igualdade e separadas. E de uma vez por todas, esqueça a ideia de Bem e Mal como nos foi ensinado pelo maniqueísmo. 

O bem e o mal são ideias que nascem da ética humana para regular humanos. É perigoso afirmar que a ética vem de Deus, do divino ou seja lá o que for divino para sua crença. Desvincule-se do seu passado e das crenças destrutivas. Você nasceu para construir e somar, não para subtrair. Pessoas compromissadas com a matança e a destruição, vivem numa vibração tão baixa e negativa que elas mesmas não encontram lugar no mundo para permanecerem muito tempo. Elas são tragadas pela própria negatividade que geram e frequentemente são invejosas, são apaixonadas pelos seus vícios e comumente são resistentes a mudanças. Compreenda que Paixão vem do latim Passio e significa dor/sofrimento. Estar apaixonada é estar na dor e no sofrimento. Portanto, desapaixone-se e Des-Iluda-se. Viva melhor!

“Há sempre um coringa que não se deixa iludir. Quem quer entender o destino, tem de sobreviver a ele." - Jostein Gaarder em O Dia do Curinga.

Bruxos se reconhecem em sua maioria, como a expressão caída do divino aqui na terra. Somos feitos da mesma substancia de nosso criador. Não há uma só parte de mim que não contenha meus iniciadores, por isso somos todos UM, somos irmãos de Arte e na Arte. A discrepância é pregar que iniciados são os únicos eleitos, os escolhidos, os mais importantes, ah isso é vaidade, é formação de status, é corrupção da liberdade, é separativismo. Não se pode afirmar-se UNO pregando o separativismo. UNO vem de união. Algo mais ou menos parecido com a teia ou a rede do filme avatar.

E por isso, eu sou dos que continuam abençoando a todos, desde que maldição é algo que já tem quem se ocupa disso, afinal quanto mais trevas você lançar, mais luz chegará, dessa forma, o contrário também é verdadeiro!
Portanto, abençoados sejam em nome do meu Deus, em nome do seu Deus e em nome do amor e de tudo o que é lindo, belo, gentil e afável.

Se você NÃO me conhece, RESISTA morrer antes de me dar um abraço!

Se Você me conhece, Compra luz e Aceita o abraço! Eu ficarei feliz!



Sett Ben Qayin

quarta-feira, 12 de março de 2014

O ADVERSÁRIO


Este artigo foi originalmente publicado na revista The Cauldron, edição IX na primavera de 2006. É reproduzido aqui com autorização expressa dada ao Sett Ben Qayin na mesma época. 

William Blake's illustration of Lucifer as presented in John Milton's Paradise Lost


Esperamos que a maior parte de nossos leitores sejam adultos o suficiente para perceber que Lúcifer, o Portador da Luz, ou Lord Lumiel, como é conhecido na tradição esotérica, não é o Satanás Cristão, embora seus mitos se sobreponham e tenham sido confundidos através das eras. Aqueles que não podem aceitar esta premissa façam o favor de não seguir adiante na leitura deste artigo, pois ele não é para você. O mito da expulsão de Lúcifer do Céu dada à recusa em se curvar para criação de Yahweh, Adão, foi distorcido pelas primeiras Igrejas. Eles costumavam criar um truque satânico para assustar o povo rural que ainda adorava os Deuses Antigos para convertê-los e controlar seus próprios seguidores através do medo.

No relato bíblico a revolta de Lord Lumiel contra Yahweh, foi derrotada por um exército angelical comandado pelo Arcanjo Miguel ou Michael na Batalha do Céu. Como resultado, Lumiel e seus anjos rebeldes - agora designados como 'anjos caídos' – foram lançados para baixo. Lumiel- Lúcifer, que havia sido o Logos Solar, se tornou o regente planetário da Terra ou Senhor do Mundo (Rex Mundi) e o Senhor Miguel o substituiu como arcanjo do sol.

Em um recente artigo escrito pela bruxa tradicional australiana Rosaleen Norton, publicado na revista Dragonswood (Samhain/Yule 2005), a Dra. Marguerite Johnson da Escola de Humanidades na Universidade de Newcastle, Austrália, disse o seguinte ao mencionar a devoção de Rosaleen à Lúcifer: 'Na lenda Judaica, Sammael [sic], o gêmeo do arcanjo Miguel criticou a criação de Deus, a humanidade, e foi banido do Céu. Enviado para atormentar seu povo [meu sublinhando], ele adotou o nome de Lúcifer, e travou uma guerra constante conosco. Devido ao interesse de Rosaleen em Kabbalah, não é surpreendente que sua interpretação da figura seja similar à herança Judaica como oposta à Cristã. Em uma versão da sabedoria Cabalística, Lúcifer é ligado à humanidade desde que ambos experimentaram uma queda; ele, do Céu e nós, do Paraíso. Rosaleen retratou Lúcifer de acordo com sua mitologia, não o adorando como o Diabo, mas reconhecendo-o como o adversário do gênero humano. Ele nos relembra da razão de estarmos aqui e assim atua como uma medida psíquica de redução do ego.’

Os comentários da Dra. Marguerite Johnson, de que Lúcifer haveria caído para a Terra para 'atormentar seu povo' e de que ele teria 'travado uma guerra constante conosco' inocentemente compra a propaganda da Igreja, confundindo o Portador da Luz com o Satanás Cristão. Isto é ligeiramente reclamado através de sua referência a uma versão do mito Cabalístico que liga Lord Lumiel à expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden. Esta relação é fortalecida pelo fato de que a serpente no mito edênico era Lord Lumiel disfarçado. Seu objetivo era o de iluminar os primeiros humanos para a verdadeira natureza do universo, que deliberadamente estava sendo bloqueada deles por Yahweh. Como Lord Lumiel busca a redenção e restauração de seu legítimo lugar na ordem cósmica, da mesma forma os humanos que despertaram do sono do materialismo em busca da evolução espiritual para escapar do ciclo da morte e renascimento e alcançar a união com o Godhead (N.T.: literalmente, Cabeça de Deus) – a meta última do caminho mágico.

É ensinado na tradição Luciferiana de que assim como a humanidade evolui (lenta e dolorosamente), da mesma forma Lord Lumiel passa por fases de redenção. Para ajudar neste processo, ele e seus leais anjos guiam e ensinam humanos selecionados que são simpatizantes da sua mensagem. O Portador da Luz também toma periodicamente formas humanas e encarna na Terra como um avatar, para acelerar a evolução da raça humana. Isto está simbolicamente refletido no antigo mito do “rei divino”, tão amado aos modernos neo-pagãos, embora poucos - se é que algum deles - possa entender seu significado esotérico como ensinado na tradição Luciferiana.

A Dra. Marguerite também menciona a crença de que Samael/Lumiel era o irmão gêmeo de Miguel. Em um artigo na revista Inner Light (Equinócio de Outono, 2005), um dos correntes membros da Society of the Inner Light, Paul Dunne, compara Miguel a Cristo - e com Lúcifer. Ele afirma: 'Quem é Lúcifer senão o irmão angelical de Cristo?' Ele adiciona que Jesus, Miguel e Lúcifer são os Arcanjos Ben Elohim ou 'Filhos de Deus'. O Cristo e Lúcifer ele declara 'representar as Potências Cósmicas que estão envolvidas em uma Guerra Eterna que ocorre sobre a Terra, dentre os Céus. Esta guerra é refletida dentro de aspectos correspondentes ao homem e à mulher na Terra. O homem e mulher são compostos de Potências Opostas da Guerra Divina.' (Talvez, esta seja, consequentemente a tal batalha dos sexos? Não se preocupem senhoras, Lúcifer está a seu lado. Afinal ele ensinou Eva, e não aquele trapalhão do Adão!). Esta identificação do Cristo com Lord Lumiel é significativa. Nos anos 50 e 60, minha primeira professora de ocultismo, Madeline Montalban, fundadora da Order of the Morning Star, ensinava aos seus estudantes avançados de que Jesus era um do avatares de Lumiel. Esta é a razão do livro bíblico O Livro das Revelações ser descrito como “o brilho e a estrela matutina”, um dos símbolos de Lúcifer.

Paul Dunne também parece aceitar a versão Cristã de Lúcifer como um ser do mal e o vê como a representação do baixo self. Isto é, de fato, uma completa distorção dos princípios Luciferianos. Lord Lumiel como o Portador da Luz representa as metas da liberdade dos instintos básicos de nosso self animal e primitivo, o alcance da gnose (conhecimento divino) e em última instância, esclarecimento espiritual. Como o Senhor do Mundo, ele está intimamente conectado com o progresso, em todos os níveis, da espécie humana e do nosso destino neste planeta. Só através dos nossos esforços ele pode alcançar redenção e restauração.

A Dra. Marguerite Johnson se refere ao papel de Lúcifer como um adversário do gênero humano. Novamente, isto é um conceito aberto à incompreensão feita por aqueles que possuem nem tão discretas intenções de enegrecer o nome do arcanjo rebelde. A definição da palavra no dicionário é 'oponente, antagonista, inimigo' e é ligada ao significado adverso de 'expressando oposição ou antítese'. Lord Lumiel não é o inimigo dos humanos, mas naquele contexto específico ele é o adversário de Yahweh. Pela recusa de curvar-se ao ser humano mortal porque ele (Lumiel) era angelical e um 'Filho de Deus', ele se opôs ao desejo de um deus tirânico do Velho Testamento, e deste modo, se tornou um inimigo da ordem cósmica. Na tradição Luciferiana, Lord Lumiel, como o adversário ou oponente, é visto de um modo totalmente diferente. Ele desafia os preconceitos, a ignorância e falsas crenças dos homens e mulheres, para que assim eles possam literalmente, ver a luz. Portanto o Portador da Luz guia os indivíduos ao caminho da gnose sem a intervenção de um sacerdócio. No culto de bruxaria medieval isto era simbolicamente representado pela tocha incandescente entre os chifres do Bode do Sabbath.


Este papel de adversário pode ser visto no Velho Testamento, onde uma ordem de anjos conhecidos como 'satans' (de onde a Igreja conseguiu o nome singular 'Satanás’ para o princípio supremo do mal, o qual obteve emprestado da heresia dos Maniqueístas), que são empregados por Yahweh para tentar e testar seus teimosos seguidores. Um exemplo clássico deste processo é registrado no Livro de Jó. No Novo Testamento um destes satans, agora identificado com o Satanás, visitas Jesus no deserto e o tenta. Ele oferece a Jesus o mundo, tradicionalmente a criação de Deus, e ele só poderia fazer isto se ele fosse o Senhor do Mundo. Se nós aceitarmos que Jesus foi uma encarnação de Lúcifer, então ele está desempenhando o papel de adversário contra ele mesmo, no último teste.

Lumiel-Lúcifer como o adversário não é uma figura sinistra ou do mal, que 'atormenta' as pessoas ou que guerreia contra a humanidade. Ao invés disto ele é o Portador da Luz que oferece esclarecimento e iluminação para aqueles que o veneram. Sua rebelião contra o falso deus tirano pode então ser vista como parte do plano divino para o universo. Certamente ele não tem nada a ver com o princípio imaginário do mal cósmico inventado pela Igreja para controlar e reprimir as massas. Infelizmente por séculos, a natureza verdadeira de Lúcifer foi obscurecida e humilhada pela superstição e ignorância. No princípio do século XXI, quando há a ameaça de destruição de nosso planeta pelas forças anti-Luciferianas do materialismo, o tempo é certo para que sua luz brilhe uma vez mais.

Leitura adicional: The Pillars of Tubal Cain, de Nigel Jackson & Michael Howard e The Book of Fallen Angels, de Michael Howard, ambos publicados pela Capall Bann do Reino Unido, que são guias modernos e completos para a tradição Luciferiana.


Por Michael Howard

Nota Biográfica: O escritor tem sido o editor da The Cauldron desde 1976 e escreveu mais de vinte livros sobre runas, medicina herbanária, folclore, magia e Mistérios da Terra. Ele era um membro da Order of the Morning Star e iniciado na Wicca Gardneriana nos anos 60. Ele também foi iniciado no clã de bruxaria tradicional conhecido exteriormente como Cultus Sabbati.



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Compasso e o Caminho da Forja



O Bruxo sempre esteve comprometido com o seu caminho e este, marca a roda do compasso numa estrada sinuosa e virtuosa por onde muitos chamam de caminho da transformação, não menos dolorosa, onde aquilo que ainda é pedra bruta, vira uma joia preciosa.

Andrew Chumbley afirmava que a magia é a transformação da quintessência do ser, e eu concordo com ele, desde que é lá no nosso mais profundo íntimo que reside o poder real e o real poder.


O dom de mudar a si mesmo está verticalmente ligado à sinceridade mais pura, divina e sem autocondescendência, e esse dom é transmitido via iniciação para durante o processo de desenvolvimento com trabalho interno de Covine, onde o Acre se torna Círculo e a roda marca a bússola do Compasso. Ninguém pode dar para si mesmo aquilo que não tem, e é por esta razão que durante a forja de Vulcanus, ou de Tubal Caim, as mudanças ocorrem e com elas nosso caráter se justifica e muda junto, afinal trata-se da linhagem bruxa recebida de nossos iniciadores. Por isso, em tempos que resolvem os equilíbrios e o balanço natural das coisas, seremos sempre o vilão de um herói e o herói de um vilão, isso nos amadurece.

Ao longo desse tempo vamos trocando de pele, mudando de opinião, de postura, de consciência, expandindo-a inclusive, e convidamos para nós mesmos uma série de transgressões e obstáculos a serem também transportados para o Caminho das lições, onde aprendemos que nada permanece para sempre como estava antes, e assim é preciso ter mais coragem para tomar um ato pacífico de acordo com os princípios da indulgência e da piedade, ao invés de exaltar o ego em falsa vitória.

A transformação interna é mais importante para um mago ou bruxo, do que a exaltação dos poucos minutos de glória passageira. A banda de moebios revela o símbolo do infinito e nele consta uma eternidade de vitórias perenes. O mundo está cheio de gente corrupta que só vislumbra o poder, o dinheiro e a superfície de uma superioridade em Maia (ilusão), já que cegos não podem trabalhar como guardas de trânsito, mas podem soprar o apito e apontar o dedo para indicar uma direção onde não se vê para onde está indo, este então, não pode guiar pessoas, mas pode guiar outros cegos, enquanto o verdadeiro compromissado com o seu caminho poderá sempre guiar pessoas para a liberdade, desde que ele já pode guiar a si mesmo. 

Os ensinamentos adquiridos com o Compasso traçam um caminho completo para a transformação pessoal e para a realização espiritual. Este caminho inclui uma compreensão profunda da negatividade pessoal, no qual chamamos Diabo, suas origens, consequências, e um processo para situá-la e transformá-la. Esse processo não se adquire em nenhum curso ou universidade, mas dentro de um Covine Tradicional, que é a melhor escola e não tem semelhante em nenhum outro tempo ou lugar.

O trabalho mágico é aquele que você faz com você ao permitir-se aprender com seus iniciadores, por intermédio deles terá por objetivo possibilitar nossa auto realização pela transformação, concretizar nosso potencial humano individual para a execução de uma tarefa significativa no mundo e para o desenvolvimento de relações afetuosas com os outros. Nesse ponto, nos vemos como deuses vivenciando uma experiência humana, e justamente por isso, por ela limitada em sua condição física.

A partir desse ponto, nunca antes o sabá das bruxas ganhou mais importância e necessidade, tanto o sabá terrestre, o infernal e o celestial, já que é nessa condição que a bruxa se desdobra entre os mundos na forma do seu animal poderoso e transcende os limites da carne.

Essa prática espiritual tem por objetivo alcançar sua hóstia com aquele à quem muitos chamam de Diabo e seus ancestrais, uma verdadeira iluminação, pois como em Platão, é a partir das trevas que se pode ver a Luz, ninguém chega verdadeiramente até Deus sem passar antes pelo Diabo, e é por isso que ele é encontrado nas encruzilhadas das bruxas e fora dela, para assim, haver uma fusão com a consciência unitiva, nossa unidade com todas as coisas.

A meta principal de um trabalho espiritual é conhecer a nossa identidade e limitação mais profunda, com a sombra, como seres inspirados pelos deuses, plenos de amor e de luz. Para tal, Lúcifer, o portador da luz, precisa antes ser compreendido, uma vez que ele não é um ser, mas sim, nossa luz interna, o que nos torna a nós mesmos como os portadores da luz.
O Caminho completo deve orientar-nos, quer quanto às frustrações que nos detém na realização e cumprimento de nosso destino, quer quanto às limitações que impedem nosso despertar.

Um grande sábio disse uma vez que nós somos guiados pelas estrelas, mas infeliz daquele que se deixa ser guiado por elas. O mesmo é válido para todo e quaisquer oráculos ou mancias, desde o tarô até o I-Ching. A bruxa faz suas escolhas e exercendo seu livre arbítrio ela faz o seu caminho, independente da orientação dada pelas mancias, chegando até mesmo manipular situações e pessoas em seu favor. Então, não se engane, pois um bruxo está exatamente aonde ele quer estar, ainda que as aparências enganem e lhe force a crer que há uma derrota aparente.

Ainda há pessoas que se perguntam: “Como posso ir de onde estou para onde quero estar?”

Se for uma bruxa, ela saberá exatamente transpassar de uma margem à outra, uma vez que somos nós que criamos nossa própria realidade, sem vergonha nem medo, e seguindo atentos e ocupados com a questão do autoconhecimento que nunca acaba, onde a pergunta não é relativa à transposição de lugares, mas sim com que parte de mim eu crio situações que reputo totalmente desagradáveis à mim e aos outros? Não dá pra agradar “gregos e troianos”, alguém, durante suas escolhas, sempre irá emanar emoção ou sentimento adequado ao que cavalga e à situação que é sofrida e ocasionada pela escolha feita.

Algumas pessoas se perguntam: Por que meu trabalho de criação não dá origem à vida que acredito querer? Por que é tão difícil mudar alguns aspectos meus? Por que mudo de residência ou de país e sempre continuo na mesma vida dependente de artifícios financeiros sem autossuficiência?

A resposta é uma contribuição honesta de passarmos de onde estamos para onde queremos estar. Durante conflitos não há mudanças, apesar de elas ocorrerem tempos depois que os conflitos cessam. É necessário lembrar que nossos mestres descrevem o estado iluminado como uma fusão no amor em harmonia, onde a pessoa se sente unida a todos como numa rede ou teia universal e abundante, e se entrega alegremente à divindade, tornando-se UNO com ela.

Se você é honesto consigo, porém sabe que não consegue atingir suas metas, necessita de algo que te leve a aceitar-se totalmente como você é agora, no hoje, e que te oriente a trabalhar com o que bloqueia sua evolução que deveria conter progresso pessoal e espiritual. É preciso consultar seu mapa interno sem idealizar nem pratear vossas deficiências humanas.

O Caminho elabora um mapa consciente que inclui nossos demônios e anjos, a criança vulnerável e o adulto competente, os interesses mesquinhos do ego e também os anseios visionários sublimes. Muitos ainda guerreiam consigo mesmos, mas como não pode domar a si mesmo, acaba elegendo alguém para representar seu ganho pessoal, sua vitória, humilhando e subindo na vida a custas das desgraças alheias. Isso não é virtuoso, pois essas pessoas não enxergam que ao humilhar o próximo em público ou não, estão se auto derrotando, enquanto que aquele que permite a humilhação está se elevando conscientemente de forma sublime e sacrificial. Muitas vezes ganhamos perdendo e perdemos enquanto ganhamos. Perdeu-se no caminho aquele que exalta o ego para se projetar tirando vantagem de algo ou alguém, que se aproveita da aparente fraqueza alheia. Digo aparente fraqueza porque não há fraqueza verdadeiramente, muitas vezes temos de escolher conscientemente deixar o outro se elevar para que possamos nos elevar junto, mesmo que em níveis diferentes de expansão mental ou espiritual. O ser humano venceu os dinossauros. O ser humano é o único que pode se autodestruir.



Lembre-se, hoje você não pode mais pensar igualmente como ontem. Aprenda com os erros próprios e com os dos outros.

Em todo processo iniciático, há o aprendizado que nos orienta e nos ampara à medida que nossos passos nos levam da pessoa que somos agora para a pessoa que nos tornaremos, mais elevadas, mais realizadas, mais felizes, e mais conscientes que podemos ser. Não se pode fingir que somos uma imagem idealizada de nós mesmos, a pessoa que pensamos que deveríamos ser. Nossa bússola nos ajuda a aquietar-nos na aceitação da maneira que honestamente somos e do que sentimos, momento a momento, dia a dia, noite por noite, mês a mês, ano a ano.



Se você for autêntico consigo mesmo, poderá descobrir dentro de si sentimentos e atitudes desagradáveis e egocêntricas. Apesar disso, não se sentirá uma pessoa má, não é mesmo?

Mas por que é tão difícil amar a si mesmo e amar os outros como ama a si mesmo?

A pergunta deveria complementar: Por que continuo a ser tão egocêntrico ou autodepreciativo?



A maioria das religiões ou sistemas mágicos nos dão bem pouca ajuda efetiva nessas questões, porque prescrevem mandamentos morais, rígidos códigos de condutas éticas que as vezes mais escravizam do que libertam, dogmas obcecados pelo poder de mando e controle, recheados por culpa e medo, ameaças ou persuasão, e dessa forma não fazemos emergir a nossa negatividade. Quando falhamos, somos admoestados a tentar com mais empenho. Somos forçados a oferecer as nossas imperfeições à outra pessoa, seja um avatar religioso ou um representante de fé, um guru, uma igreja, ou então espera-se que nos elevemos acima de nossas limitações e que consideremos nossa negatividade como ignorância meramente temporária de nossa divindade. Se pararmos para pensar que Deus é infinitamente grande, se torna impossível você pecar contra ele. Só nesse pensamento já caem por terra todos os dogmas de controle, então você se liberta e aprende a pensar com sua divindade interna, que é uma célula ou expressão da Rede Divina onde todos nós somos UNO.



Como poderemos reconhecer nossa negatividade sem dourá-la e sem ser por ela destruídos?

Descarregamos nossas culpas e emoções deprimentes, nossos sentimentos maus sobre os que achamos que nos magoaram e esperamos que os pensamentos ruins ou negativas emoções se dispersarão, mas isso não acontece. Na verdade isso se torna um vício e um padrão repetitivo, onde você acabará elegendo um inimigo fora de você, quando deveria olhar pra si como seu próprio inimigo, para que se nasça a amizade e a união, a aceitação e a entrega. Se você foi sincero agora ao reconhecer isso, já é um grande avanço para se tornar um bruxo de verdade. O caminho do perdão leva ao amor e o da piedade enobrece e exalta suas virtudes mais douradas.



O único sentimento verdadeiro é o amor, todo o resto é apenas emoção criada pela sua mente, e a entrega de si somente acontece com o amor perfeito e a confiança perfeita.

Nós nascemos imperfeitos ou não haveria razão de passarmos o resto da vida buscando sermos melhores, para que possamos oferecer o que temos de melhor, e ontem eu me achava melhor, mas hoje estou melhor que ontem e amanhã estarei ainda mais. Portanto, se você acha que ganhou uma guerra ou uma batalha, na verdade você se perdeu do verdadeiro propósito da sua existência e do seu destino, e no amanhã você reconhecerá que foi um tolo ontem, porque hoje você se aperfeiçoou um pouco mais do que você era ontem, então ontem você ainda era imperfeito.



Sem ser sincero consigo mesmo em tudo que foi dito acima, você não pode se considerar um ser desperto ou consciente de fato.

Nós carregamos uma sacola de virtudes pendurada no pescoço e sobreposta em nosso peito, e uma outra sacola de vícios igualmente pendurada no pescoço e sobreposta nas costas.

A evolução de nossa sombra, no amor e com amor, é transformação que se dá em fila, uma atrás da outra. À medida que vamos crescendo, o eu reprimido transforma-se num saco amortecedor que pode ser chamado de “a sacola que arrastamos atrás de nós", que contém as nossas porções inaceitáveis. Há uma ligação entre as nossas sacolas pessoais e outros tipos de sacolas: as sombras coletivas, e dessa forma, quem está atrás de você nessa fila só irá enxergar a sacola que o indivíduo da frente carrega nas costas dele.



Para ver a luz, é preciso estar nas trevas, e quando você se tornar luz, será lançado nas trevas novamente porque é lá que se pode brilhar. Se tudo fosse luz seríamos cegos e se tudo fosse trevas seríamos cegos igualmente. Para ser bom, é preciso conhecer o mau, para ser perfeito é preciso conhecer a imperfeição, para ser Deus é preciso aprender com o Diabo, e por último, se situar nem dentro nem fora, mas acima da briga ética entre o bem e o mau, verdadeiramente consciente de quem se é, em qual direção sua bússola apontará, para onde seu destino tornará, qual é seu papel no mundo e no entre mundos, quais caminhos seu compasso mensurará, e quando alguém pedir para apagar uma página da vida, se lembre que esse alguém está rezando, a ti que é um deus na Terra, e um deus sempre pode conceder a realização desse pedido, porque ele simplesmente pode!



A linhagem é sempre preferível a um diploma, porque quem não sabe de onde veio, não sabe para onde vai!

Marsílio Ficino afirmou: "A alma pode ser chamada o centro da natureza, a intermediária de todas as coisas, a corrente do mundo, a essência de tudo, o nó e a união do mundo. Conhece-te a ti mesmo, ó linhagem divina vestida com trajes mortais!"


Por isso, bruxos são pessoas que vão doar à você, aquilo que você trouxer pra fora, de dentro pra fora!

Sett Ben Qayin