terça-feira, 24 de março de 2015

O Auto da fé Bruxa



Por que os seres humanos sempre tem a visão de que eles estão fazendo o bem para alguém? Talvez porque ainda se adota a dicotomia "bem-mal" do sistema judaico.
Algumas pessoas te desprezarão por você pensar diferente. Outras se aproximarão pelo mesmo motivo.
Nojo, repulsa, medo de ser confundido ou de “andar junto”, são premissas que alguns chamam erroneamente de virtudes a serem oferecidas a fim de justificar o desprezo por tal pessoa.

Ao lembrar o auto-de-fé de 1649 que foi talvez o maior “erro” já realizado em nome da fé, vemos e sabemos que espetáculos assim foram e ainda são apenas a ponta do iceberg que culminou e ainda culmina sempre na inquisição. “Mandem para fogueira todos que pensam diferente da gente ou queimem em seus egos por não conseguir conviver com a diferença”.

A diferença é talvez uma das únicas coisas que nos igualam, mas para que se preocupar né? Quem se subtrai de nossa digna presença, não merece mesmo a nossa companhia. Eles dizem: “sejam leais a nós e seremos à vocês”. Lealdade em juramento ou lealdade nas conveniências e invencionices?

Agindo em nome de Deus, em nome de uma fé ou caminho espiritual, de forma dogmática ou rígida, mas movida por interesses políticos de liderança e controle, o fato espalhou a discriminação ao longo de quase sete séculos, e também o medo. Um comportamento de mudanças legítimas não pode prejudicar o outro, caso contrário não há perfeição ou aperfeiçoamento de caráter, mas sim a criação de “vilões, execráveis, criminosos”.

 Os inquisidores e seus representantes agiram na Europa, Ásia e nas Américas, lugares tão variados como as vítimas que perseguiram: judeus, muçulmanos, hindus, protestantes, bruxas, bígamos, homossexuais, sodomitas ou quem quer que cometesse o “crime” de pensar diferente.

Hoje vemos que nada mudou, e pasmem, há gente que se diz “mudar”. Até mesmo na bruxaria vemos inquisidores do próprio sangue.
Falta muito ainda para a tal evolução com progresso no aperfeiçoamento do caráter existir. Mas alguns chamam essa merda separativista de “expansão de consciência”, claro, erroneamente.

Os historiadores fazem distinção entre a Inquisição medieval (ou papal), que vigorou na França, Itália e outros países europeus a partir do século 13, e a Inquisição moderna, que alcançou seu apogeu na península Ibérica entre os séculos 15 e 18. Não há uma data sensata para o início da Inquisição medieval. Ela foi fruto de uma longa evolução na qual a Igreja se sentiu ameaçada em seu poder. Os questionamentos sobre a verdade absoluta do cristianismo, do paganismo e da bruxaria aumentaram a partir da idade média, e os indivíduos que partilhavam dessas ideias foram chamados de hereges.

O termo “heresia” vem do grego hairetikis, que significa “aquele que escolhe”. De fato, na Grécia antiga a heresia era apenas uma escolha do que a pessoa achava melhor para si, sem qualquer conotação religiosa. Se você é lançado na encruzilhada e faz uma escolha que não supre a expectativa alheia, parabéns você é um herege.

Na Idade Média, a Igreja expandiu esse conceito de tal forma que a heresia passou a abranger todas as opiniões contrárias aos dogmas católicos. O combate aos hereges começou a tomar forma com um tratado escrito no século 12 pelo abade Pedro, o Venerável, que chefiava a abadia de Cluny, na região francesa da Borgonha. Ele afirmava que, para eliminar a heresia do seio da Igreja Católica, que chamava de “Corpo de Cristo”, era necessária uma purgação, composta de quatro fases: investigatio (investigação), discussio (discussão), inventio (achado) e defensio (defesa). Aquele era o passo-a-passo da futura Inquisição. “Desse modo, o tratamento aplicado à infecção no Corpo de Cristo começava com pesquisas [daí o termo ‘inquisição’] que os bispos e seus representantes realizavam antes da criação de tribunais especializados”, diz o historiador britânico John Edwards, da Universidade de Oxford.

Para que a caça aos hereges surtisse efeito, era necessário o apoio do Estado. Embora a Inquisição medieval tenha sido idealizada e dominada pelo papa, ela contou com o auxílio dos soberanos. Isso mostra o caráter político das perseguições, numa época em que não havia clara separação entre Igreja e Estado. Hoje em dia a perseguição deu lugar à aversão pessoal e parece que poucas pessoas tem vergonha de se revelar assim, a maioria discrimina enquanto afirma: “você não é um de nós”, ou, "você não vai para o céu", ou ainda, "você não pode andar com a gente, não pode ser um fã dos meus livros como qualquer pessoa e eu não posso ter você no facebook". (risos)

O divisor de águas nessa empreitada foi o 4º Concílio de Latrão, convocado pelo papa Inocêncio III em 1215. Seu principal objetivo era resolver o problema dos cátaros (ou albigenses), um grupo de cristãos do sul da França que contestava os dogmas da Igreja. Ficou decidido que quem se negasse a aceitar a fé católica seria excomungado e entregue à autoridade secular (ou seja, aos funcionários da coroa) para ser castigado, pois a Igreja não podia derramar sangue e, assim o castigo passou invisivelmente para a discernimento, subestimando a nossa inteligência.

Sett Ben Qayin



segunda-feira, 23 de março de 2015

Os Mitos Também são Dogmas



Certamente você já se perguntou o por que o ferro repele "demônios", desde que nunca isso ficou tão claro para você, quando as coisas ensinadas pela alquimia.
Bem, o ferro "mata" uma estrela em fração de segundos. Nosso universo é formado por diversos Sóis. Cada Sol é uma Estrela, portanto, se apenas por um minuto você esquecer os mitos, você verá que as verdadeiras mães de tudo são as Estrelas e nesse ponto, o Sol deixa de ter conotações "masculinas".

Assistam esse vídeo e tentem esquecer Agrippa e Francis Barret por um minuto, tentem esquecer os mitos e tudo que veio das florestas da Inglaterra ou das areias do Egito.
Expansão de consciência é necessária para compreender o porque ninguém pode "pecar" contra Deus ou contra qualquer divindade, ainda que ela resida na Terra e ande com duas pernas e coma arroz e feijão.

Antes de falar em mágoa, ou melhor, antes de se sentir magoado(a), reflita sobre o hidrogênio como o gênio ou espírito do elemento dos sentimentos, totalmente permeável e tocado pela fé.
Uma estrela é um fogo contínuo que não necessita de oxigênio e dai vem seu poder. Essa energia só pode ser acessada por um ser humano, em linguagem metafísica, através da fé.

É necessário trabalhar com os mitos sem tomá-los como se dogmas fossem.

Bom filme!



sexta-feira, 20 de março de 2015

A Verdade sobre as Chaves de Salomão


Rei Salomão e sua corte

A Clavícula de Salomão é um dos mais antigos tratados de magia cerimonial europeia. A palavra Clavícula significa chave pequena. Esse nome se deu por ser considerado chaves que abrem as portas do universo mágico. O título em língua portuguesa é oriundo da tradução francesa e dela resultou todos os demais tratados de magia, ou pelo menos ela foi consultada para gerar novos trabalhos literários sobre a Arte.

De acordo com os historiógrafos esse livro não foi escrito pelo Rei Salomão. Antigamente, mais precisamente na Idade Média, o recurso literário mais utilizado era o de atribuir uma obra a um personagem famoso. Era frequente que um livro fosse escrito por mais de uma pessoa, pois era o resultado do esforço de uma confraria e geralmente consistia na compilação de materiais transmitidos oralmente há muito tempo sem que fosse possível atribuir a especificidade do autor.

Naquela época não havia os direitos autorais e era uma fase muito rica da história já que existiam muitas nuvens de conhecimento para chover no papel e esse ofício não era específico de alguém de fora da vida religiosa. Por essa razão, os autores não se preocupavam em manter seus nomes ligados a obra e, por isso escolhiam um patrono, um grande sábio dos tempos antigos, uma divindade ou uma personagem lendária para ser seu autor oficial.

Essa prática dava credibilidade ao material, o que poderia não ocorrer se fosse atribuído a um autor sábio e desconhecido. Além de tudo, o escritor legítimo ficava protegido de todos os perigos, caso o texto publicado desse merda no âmbito religioso ou político. Isso dava prisão ou morte em alguns casos. Foi por essa razão que Salomão se tornou autor de vários livros de sabedoria, uma vez que ninguém tinha coragem ou inteligência para contestar a fidúcia do autor.

É fácil atribuir atualmente as raízes do conteúdo da Clavícula ao gnosticismo, uma espécie de heresia cristã muito difundida na Ásia menor, nos primeiros séculos da Era Comum, e na Cabala e seu misticismo originário do século XII de nossa Era. Inclusive, ao olhar de perto os exorcismos do sal e da água, o traçado e lançamento do círculo, o modus operandis para o chamado dos quadrantes, fica bem fácil fazer a leitura que revela de onde Gardner inspirou-se para dar o “frame” da Wicca. Entretanto, esse frame é tradicional à Clavícula e a magia cerimonial. Qualquer um de nós que modelar sua arte baseando-se nesse frame, não pode ser considerado frame wiccan, mas sim, há de ser dado os créditos com precisão a tradicionalidade da magia cerimonial das Clavículas de Salomão.

Mas como eu estava dizendo, isso indicaria que o livro deva ter sido escrito, ou começado, durante o Império Bizantino ou um pouco antes. Uma versão grega foi conhecida no tempo do imperador Manuel I Commenus e, nessa mesma época circulou uma versão em latim.
Daí em diante surgiu às diversas traduções. Foi soi-disant revelada pelo rei Ptolomeus, o Grego, ou traduzidas do hebraico para o latim pelo rabino Abognazar, que podem muito bem serem autores fantasmas.

Embora houvesse diferenças, as cópias foram guardadas nas bibliotecas britânicas e francesas. Essas riquezas permitiram que no século XIX, o magister e fundador inglês da Golden Down, o senhor MacGregor Mathers e o francês Éliphas Levi dessem uma nova roupagem, aproximando do original, mas com linguagem melhorada.
Magia cerimonial vem a ser um nome dado pelos magos eruditos da época, contudo, sabemos que todo ritual formal é uma cerimônia. Mas esses magos eruditos queriam a todo custo se diferenciarem da magia pagã praticada sob os auspícios da feitiçaria, talvez por preconceito, como se magia pagã fosse para os pobres e magia cerimonial fosse para os ricos.

A magia pagã era praticada por pessoas ligadas à fé agrícola, ou talvez uma espécie de religião agrária, e usavam fórmulas simples, feitiços, filtros, encantamentos, poções etc., tudo sob o frame da magia natural e simpática. Era praticada principalmente por mulheres, parteiras, curandeiras da aldeia rural. Parece que essa magia tinha o objetivo de resolver os problemas diários das pessoas, como casamento, trabalho, ter filhos, curar doenças, um relacionamento amoroso, sexo, maldições, etc. Essa magia interagia com as forças naturais, sem controlar essas forças.

No entanto, a magia cerimonial era urbana, masculina e elitista, enraizada nos conceitos e práticas dos místicos judeus e cristãos a princípio, como uma forma de magia erudita, praticada principalmente por religiosos de alto escalão, que tinham a possibilidade de estudar a ciência e a filosofia da época dos magos constelares e visavam, por intermédio dessas práticas sobrenaturais, adquirir poder sobre os indivíduos, espíritos, demônios para se obter ganhos pessoais dos quais não conseguiriam de outra forma. Essa magia buscava controlar essas forças por meio do poder e assim se distinguiu a magia das bruxas e as práticas de magia cerimonial.

Atualmente essas duas divisões de magia não separam mais nada além do próprio nome, pois cada vez mais os dois conceitos se fundem devido talvez, ao avanço da internet e ao conhecimento a um clic de distancia.
A chave menor de Salomão foi chamada de O Lemegeton, e foi assim dividido em cinco partes, sendo: Ars Goetia, Ars Theurgia Goetia, Ars Paulina, Ars Almadel e Ars Nova.

Você pode se informar mais clicando aqui: Chave Menor de Salomão

Nas Clavículas foi abordado a Goécia, escrita sob a forma de diálogo entre o Rei Salomão e seu filho Roboão que aprendia a arte mágica do pai. Dividida em duas partes onde a primeira consta as formas de execução do trabalho mágico, com encantamentos e conjuros para diversas finalidades, e a segunda parte tratou dos instrumentos da arte. A Clavícula revela a arte da Goecia e suas regras, com exortações e conjurações que obrigam o universo oculto a servir o mago. Esse foi o start dado à magia desde então, foi o botão que Salomão apertou para nunca mais desapertar.

As sofisticadas e amplas orações dos antigos manuais de magia são hoje pouco mais que meras bisbilhotices, valem mais quando seus textos são simplificados, restando apenas aquilo que é essencial e que pode ser usado na aprendizagem da Arte.


Sett Ben Qayin






Óleo Vendetta



Atendendo a pedidos de amigos e leitores, abro as comportas, ou deveria dizer "as compotas" desse veneno.

Em Stregoneria há dentre outros, um óleo feito artesanalmente conhecido como óleo da vingança, usado para devolver o mal para quem o fez. Trago hoje a fórmula original para compartilhar com nossos leitores.

Óleo Vendetta é produzido assim:

Numa vasilha de chumbo, você misturará óleo de motor já usado (bem preto, diesel é melhor), enxofre em pó, assafétida bem ralada, fel de galinha, raspas de ferrugem de sete pregos de ferro tirados de portas de igrejas, terra de cemitério colhida a meia noite, raspas de cadeado e raspas da chave dele, sangue de sapo em pó e Diavulillu (pequena pimenta vermelha italiana conhecida como peperoncino di cayenna). Essa mistura ficará na vasilha durante uma lunação inteira e depois poderá usar a qualquer tempo.

Você pode acrescentar qualquer outra pimenta forte e ardida, tipo a Trinidad Scorpion ou a pimenta fantasma da índia conhecida como bhut Jolokia, ou ainda outra como a pimenta preta para o caso de não ter nenhuma, mas aviso, não terá a mesma potência. 

Você vai misturar tudo usando uma luva num sábado de lua minguante, de preferência na hora de marte ou saturno e, em seguida poderá usar.

O sangue do sapo deverá ser colocado num vidro e posto para secar ao luar da lua negra. Depois você raspa com uma lâmina de gilete para colher o pó e acrescenta na mistura.

Esse óleo é usado para untar velas de dupla cor, feitas também por você numa quarta feira de lua crescente, essas velas duplas servem tradicionalmente para magia de reverso, caso esteja sendo “atacado” por bestas invisíveis a mando de alguém.

Exemplo:

Vela preta e branca. Geralmente é branca em cima e preta em baixo.

Você irá escrever de forma “espelhada” a inscrição “meu inimigo oculto” (otluco ogimini uem) na parte preta da vela e, na parte branca você escreverá o seu nome da maneira usual (sem ser espelhado). 

Se você souber quem foi o(a) mandatário(a) dos ataques, poderá escrever o nome do alvo diretamente na forma espelhada. Use alguns oráculos para checar e tirar as dúvidas se preferir. Use três oráculos diferentes para obter duas respostas que tem mais peso de afirmação. Caso obtenha três respostas afirmativas, não haverá dúvidas, mas enquanto a dúvida permanecer, melhor usar o termo “meu inimigo oculto”, para que não corra o risco de cometer nenhuma injustiça com alguém.

Em seguida faça a inversão do pavio, virando a vela de ponta cabeça de forma que faça um novo pavil em cima. Unte a parte preta com o Óleo Vendetta. O pó de zebra pode ser misturado em azeite se precisar substituir urgentemente o Óleo Vendetta até que você consiga o feitio de acordo com a fórmula dada.

A parte branca você untará com benjoim e coentro, pois é onde seu nome estará inscrito. É preciso lembrar que o coentro foi usado na idade média pela igreja católica como incenso de exorcismo e não foi a toa.

Você irá fixar essa vela em cima de um espelho virgem ou um que já tenha sido consagrado para este fim, vai acender com fósforo e fazer o seu pedido: “Que todo mal que me foi feito retorne para o meu inimigo oculto”. Ou poderá pronunciar o seu encantamento próprio, caso tenha um que sirva para direcionar a energia.

Ao final, você tomará um banho da cabeça aos pés, com o benjoim e o coentro.

Ah, os restos da vela queimada, ao final de tudo, vão para o lixo apropriado ou você poderá usar a cera para moldar o boneco que ficará "ad eternum" no congelador.

Lembre-se: Quem não tem inimigos fora de si mesmo, não tem com que se preocupar, portanto, fique tranquilo(a) porque os deuses sabem tudo.

Existem outras fórmulas também usadas para essa finalidade e eu particularmente prefiro quebrar a energia do dano sofrido sem devolução, pois há o risco de o "inimigo oculto" receber a energia de volta e interpretar isso como se você o estivesse atacando e isso pode virar um bate e volta sem fim, mas o mais importante é não se esquecer de que quem tem cú, não precisa e não carrega patuá.

Por fim, vale lembrar que todo "guia" tem seu preço. Para um exú se dá o dobro da mesa farta que o mandatário deu à ele. Isso é o suficiente para "inverter ou reverter" a ação. Mas para um feitiço de bruxaria feito pelas mãos de um(a) bruxo(a) não há "mesa farta" que reverta. 

Boa sorte!

Sett Ben Qayin








Reflexões de uma Casta de Bruxas



Eu vou deixar aqui uns recortes da Revista The Cauldron (versão em língua portuguesa), com trechos de entrevistas dadas por Bruxos e Bruxas, sob a finalidade de revisitar a função ou desfunção de uma bandeira em bruxaria.

Eu não sou wiccan, mas conheço diversos "grooves" ligados ao tema, que deixam-se guiar por bandeiras de movimento "político" contra isso ou contra aquilo (do tipo feministas) e, por conta dessa bandeira, a bruxaria está sendo jogada fora porque para eles, ou você adere ao feminismo ou não pode ser bruxa.

Os temas são os mais diversos, desde feminismo até gardnerianismo....de qualquer forma essas coisas "castram" bruxos e os impedem de se reunirem ao largo da meia noite das bruxas. Isso é no mínimo Ridículo!

Bruxas e dogmas não combinam e sabemos que toda religião possui dogmas!

Bruxos ortodoxos tem se levantado para dar ordens à outros, isso é no mínimo Esdrúxulo!

Você deveria saber que a bruxaria é um caminho sem bandeiras. OU você deixa a bruxaria ser livre como é, ou você irá dar um movimento político do tipo "salvem as baleias" para a bruxaria e, isso é no mínimo LIMITAR a Arte e você cairá em descrédito.

Para se ter ideia de como nada disso pode guiar a bruxaria, é com o deus chifrudo (Witch father) que qualquer Bruxa faz o congresso, pois é ele A Morte (ou o senhor da Morte), assim como sua Consorte é a Vida (ou a senhora da Vida) e, como não há vida sem a morte.....


O Conceito monoteísta não cabe para todas as bruxas porque não existe certo ou errado em bruxaria, mas certamente existe dogma em qualquer religião e isso limita uma bruxa.


Veja bem, nada contra feministas, você pode ser feminista a vontade e até mesmo eu apoio muitas das iniciativas feministas. O que estou dizendo aqui é que a bruxaria não pode ser compreendida sob a ótica de um movimento, seja movimento feminista ou não. Bruxaria é bruxaria, simples assim. Bruxaria é arte sábia, não dá para limitá-la sob a pena de limitar a si mesma.

Para tanto, "castradoras" de homens não combinam com bruxaria e com nenhuma religião que contenha bruxaria, da mesma forma que religião e política não combinam. Assim pensou Janet Farrar ao afirmar seu entendimento para wiccanos sobre o prisma da igualdade.


De nada adianta uma bruxa "castrar" um homem e, depois correr aos pés do Homem deus, O Chifrudo e chorar as pitangas....


Mudanças são necessárias...mudanças...mudanças...saibamos esperar com paciência o momento de cada um...pois paciência anda em falta por ai, justamente porque a paciência é uma virtude que não nasceu com o ser humano, ela não foi dada por divindade alguma. A paciência é a virtude do ser humano, desde que é ele quem escolhe desenvolver e é nele que ela se desenvolve. Não adianta pedir para "deus" lhe dar paciência, pois no mínimo ele irá lançar você numa situação para que você desperte a virtude a partir da reflexão e da boa vontade.
Sabe aquele papo de manter o mesmo sorriso do primeiro dia....

Quem forçar, terá encontro com seus próprios chicotes...rs
(....e ainda dizem por ai que não há punição, que bruxas libertam...vivendo e vendo mestres levando chibatadas, quanta bobagem)...



Somar sempre, subtrair nunca! Porque conhecimento é o que você leva para lá depois do véu!






domingo, 15 de março de 2015

A Cracia da Fantasia


Setanta Hypnotherapy Clinic | Maya Illusion

Temos assistido alguns "seres humanos" (que de humanos não tem nada, afinal são de raças superiores) ditar as regras do que pode e do que não pode em nossas vidas. 


Companheiros tanto da Arte Bruxa quanto pastores, padres, sacerdotes e afins têm se projetado como superiores dentre os humanos, bruxos e bruxas. A essa imensa superioridade dada somente à alguns poucos escolhidos, devemos as nossas humildes desculpas, nós pobres mortais. Desculpas pela arrogância dessas pessoas, afinal, o mundo não merece tantos seres superiores no mesmo chão. Desculpe-nos ó mundo, por alguns de nós serem tão pobres de espírito e se proclamarem oriundos de raças superiores. Desculpas ó mundo, por existir tamanha ardilosidade que nos inferiorizam.


Oras oras oras..., então por que essas pessoas não conseguem voltar para o berço de suas raças superiores aonde seriam bem melhor aplicada suas vidas, ao invés de perderem tempo conosco tão simplórios e inferiores que somos? 

Por que insistem em ficar aqui nos perturbando com suas verdades religiosas?

A resposta é uma só: Eles precisam de palco, pois não sabem compartilhar uma vida com quem não estão no mesmo "quadrado", ou diria globo? Morrem de medo de um deus, morrem de medo da morte e são comedores de arroz e feijão como todo mundo, mas insistem em criar fantasias de seres espetaculares para fugir de suas realidades feias para ostentar seu domínio ou um falso império. Insistem em benzer as águas em cima dos televisores, enfeitiçam os seguidores com óleo ungido e sal grosso, fazem fogueiras santas para cumprir um antigo ritual de exorcismo sem se darem conta que a palavra exorcismo possui etimologia em juramento, não em banimento. Erguem cones de poder com uma gritaria santa dentro dos supermercados que viraram igrejas.

Alguns entram nas listas de discussões de bruxaria para se proclamarem donos da bruxaria, outros caçam diplomas de iniciações com a finalidade de mandar nos demais em solo pátrio, enquanto outros se convertem por dinheiro e status e por um apadrinhamento político.
Essas pessoas não fazem nada mais do que mostrar ao mundo, que sacerdotes e pastores são uma aberração e, nisso Osho tinha razão e por isso ele virou um fdp para quase todo mundo, mas os exércitos continuam sendo criados e templos pagãos erigidos para servir a cristandade que paga para entrar e reza para não sair.

O laço de dependência que essas pessoas criam umas com as outras é a grande doença da fé.

Vivemos numa era de doutrinações. Vemos por ai ministros, sacerdotes, pastores e mais alguns “pregando” o que pode e o que não pode nas mais variadas vertentes religiosas.

Esse “não pode” lhe impede de experimentar a sua totalidade. 
Vejam queridos irmãos de arte, lembrem-se que a verdade é uma descoberta plural, é algo que você pode chegar sozinho(a) sem o devir, sem a obrigação, imposição, cobrança, pressão etc. Não se cria um mestre para mandar em você, ele só serve para apresentar um ou vários aspectos do caminho.

Em tempos de doutrinação, nos cabe despertar mais uma vez rasgando as máscaras e os véus da dicotomia do bem e mal, justamente porque não há de fato tal coisa fora do plano da ética e das “cracias”. 

Lancemos luz em Theo e Demo para a cracia fechar seu centro. Isso inclui até a monarquia que é uma forma de governo (hereditário).


Igrejas em geral funcionam porque existe a demanda dos que precisam ser guiados. Esses últimos não sabem ainda se guiar, eles realmente necessitam de um guia, um padre, um pastor, um rabino, um sacerdote etc.


Os covens em geral funciona como uma corte de reis, nobres e súditos, mas sem liderança hereditária e, nele o trabalho é conjunto com aquele que “puxa” o arcano sete do covine montado no cavalo negro. 

O mestre da encruzilhada é o único mestre de uma bruxa e nenhum mortal pode ocupar esse cargo. Esse mestre não quer seguidores, ele quer que você se liberte de toda opressão interna e externa e isso recai sobre os mistérios da vida e da morte. O sacerdote que o representa é aquele que te liberta e permite que você continue livre, inclusive das garras dele, das doutrinas dele. Ele sabe que a verdade dele não é única. Ele sabe que a natureza não é singular, mas plural.


A vida na Terra parece acontecer de forma a sermos mandados por alguém, isso se verifica nas formas de governo. Esse alguém recebe poder de liderar dos que precisam de liderança. Por tanto, o líder não é nada se não houver para quem liderar. O líder só é útil enquanto serve os necessitados que entram no carro. Por essa razão há o mito do desgoverno e a cada sete anos o líder é sacrificado para dar lugar à um novo condutor do carro.

Mas vejam só, não há arcano sete se não for para guiar a si mesmo, pois o passageiro é alguém temporário. O passageiro uma hora desce do carro. O passageiro uma hora morre aqui na Terra e volta ao seu estado natural se fundido com a fonte de todas as coisas. O corpo vai para sete palmos abaixo da terra ou vira pó de cremação. O espírito vai para Aster, vai para o céu, para o Eter, para o inferno, para Summerland, ou fica aqui na terra assombrando outros de forma apegada aos bens materiais ou pessoas materialistas igual ao morto, ou vai para a puta que o pariu que você quiser! Em fim, sempre tem um lugar sagrado para ir.


Olhando para as coisas mundanas, vemos as cracias de vários modos.

Bancocracia, cleptocracia, consumocracia, corruptocracia, dedocracia, meritocracia, plutocracia, plebecracia, entre outras, nada disso cabe à uma bruxa. Uma bruxa não precisa de alguém lhe governando. Um líder é líder de si mesmo. Um mestre é mestre de si mesmo. Uma bruxa é bruxa de si mesma e esse mundo maluco de doutrinadores precisa acordar. 
Eu estou dizendo que as iniciações foram inventadas para servir o despertar e um lider ou mestre perde a função quando deixa de servir esse propósito e entra na esfera pessoal na forma de um ditador de valores e regras, de como você e eu devemos agir etc...

Olha como somos julgados? Se você andar ou agir no contrassenso da doutrina deles, então você não serve mais porque você se tornou uma vergonha.

Oras, eles deveriam ter vergonha deles mesmos! Não de você.

Nesse caso, a “des-doutrinação” nos cabe bem e não há nada a temer.

Uma bruxa num é uma herege a toa. Ela pode trabalhar harmoniosamente com a “minha” verdade e com a “sua” verdade o tempo todo, sem dramas, sem esbravecer com os vários acontecimentos em sua vida, respeitando assim a sua liberdade e a dos outros. Uma bruxa trabalha em harmonia com mais de duas verdades religiosas ou filosóficas, bem mais de duas...
Os doutores da verdade se irritam com a verdade alheia porque não querem competição, eles querem que você "abrace" a causa deles e a finalidade política será levada a cabo.

Ah, o que seria do mundo se não houvesse o fato do príncipe, de Maquiável?


Uma bruxa entra em “ação” primeiro consigo mesma, chamando para si a responsabilidade por aquilo que causou “comoções”. Seu único mestre se apresenta através das plantas consoladoras, as plantas de poder. Não é a toa que o único que pode consolar uma bruxa é o deus dela. É ai que entra em cena o grande sabá e sua função/propósito e nesse aspecto reside o exemplo dos xamãs que não brigam com ninguém por causa de causas espirituais. Eles entram num estado alterado de consciência para buscar a "cura" de si mesmo e dos outros.

Você já se perguntou quem criou o primeiro bruxo? Quem inventou a formação da primeira tradição? Quem criou regras para a bruxaria? Oras, bruxas criam! E tudo que se cria só é possível devido a um relampejo noturno do deus das encruzilhadas da vida e da morte, não importa se é tradicional ou moderno, o deus das bruxas não erra ao guiar a bruxa, ele vive e viverá para sempre, não sendo possível nada ser moderno, desde que tudo que existe só pode ser concebido porque já existe em outro plano.


A magia de uma bruxa atravessa oceanos e horários planetários. A velha na floresta, que não sabe ler nem escrever mas sabe conjurar as nuvens, essa era a bruxa tradicional. Bruxaria tradicional não tem nada a ver com astrologia tradicional. Magos estudam astrologia para reconstruir seus talismãs. Uma bruxa iletrada simplesmente abre a boca e a coisa acontece, ela põe seus peitos para fora e amaldiçoa toda uma terra que se tornará inóspita e infértil. Ela porá suas mãos num doente e ele se curará. Ela pegará um toucinho e esfregará no pé esquerdo do moribundo para afastar a morte. Ela invocará quem ela bem entender e essa força responderá para a bruxa, porque a bruxa comanda a voz dos ventos, os pássaros, as águas dos rios, ela é sabedora das ervas e da natureza. Uma bruxa não possui ciência estudada, ela possui dons que nascem com ela e se desenvolvem na sinceridade de sua observação. Os estudos apenas ajudam ou atrapalham (depende de cada caso). Usei o termo bruxa para representar tanto mulheres quanto homens da arte. Há tantos casos que a ciência da medicina não pode curar ninguém, mas o altar de uma bruxa pode.


Ela é parte do todo, não está fora nem dentro, mas sim participa da totalidade, ainda que de forma marginal (na margem da sociedade). Uma bruxa também é uma cidadã participativa e, do ponto de vista de todo cidadão, seu direito deve ser exercido, contudo, isso se dá sem paixão (sem passio) e se dá no plano dos que vivem sob alguma forma de governo administrador de seu país.

Das palavras de Georg Lichtenberg podemos aferir o que?

Ele afirmou o seguinte: “quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Isso é válido para todas as formas de comando onde há uma relação entre sujeitado e sujeitador.

Mas uma bruxa teria vergonha de que? Portanto não há o que respeitar nem há o que desrespeitar a não ser se você pensar sobre o prisma de uma cidadã comum, não como uma bruxa.

Aferimos que uma bruxa não possui líder fora dela mesma! Ainda que ela esteja vivendo dentro de um sistema governamental, o que por si revela que não precisa de mais um sistema e, é o suficiente para deixar de construir muros e círculos dos quais ficaria presa dentro deles.

No sabá das bruxas, elas voam por cima dos círculos e das muralhas, elas vão ao encontro dos seus.


Parece que a maioria das pessoas se unem para “cumprir” uma meta, seja dentro de um covine ou não e, com isso elas se afastam dos legítimos propósitos da bruxaria, que é a visitação da criação, o retorno à Elphame, o congresso com o Espírito das Phadas, a libertação das opressões, o encontro consigo no mergulho crédulo na madrugada esquecida. Isso sim é o propósito de se unir ao covine. Entre um vinho e outro, as risadas e as lágrimas, os sátiros nos cercam com palmas em torno da fogueira. 


Dinastia Tudor
Uma bruxa não afasta de si aquilo que ela não gosta porque ela sabe que não há inimigo fora dela mesma. Ela gosta de tudo e de todos porque tudo existe na natureza. Uma bruxa enfrenta, transforma e convive bem com todas as diferenças. Se ela afasta alguém de si, isso revela que há algo dentro dela ainda mal resolvido e ela não pode se chamar de uma bruxa bem resolvida. 
Por este e por outros motivos só existe UMA dama em alguns covines tradicionais, não sendo possível barganhar com covines estrangeiros para se ganhar o título de dama representativa.

Se ela possui uma verdade da qual batalha a todo custo por ela, certamente irá brigar o tempo todo com as pessoas e ainda irá manipular outras pessoas para “comprar” sua briga, instigando umas contras as outras. Tontos de quem se deixa ser manipulado por alguém mal resolvido e não percebe a estratégia que está por trás das aparências.

Uma bruxa bem resolvida é uma bruxa consciente do seu processo de sombras. De nada adianta fazer birra e chamar o superior para chorar dizendo que alguém está isso ou aquilo. Se perseguir a meta, estará se prendendo à isso. Metas te prende, não liberta.

Nessa limitação de si mesmo com essas metas a serem cumpridas, perdemos a nossa essência e nos afastamos de quem amamos verdadeiramente. A sombra mantém verdadeiras orgias com os conceitos de transferência e contratransferência.

Por exemplo, invejar alguém porque sua influência parece ser tão grande quanto a nossa. Não toleramos essa usurpação do nosso poder; e representamos o alguém como alguém que se comporta de modo vergonhoso, atroz, etc. E tentamos afastar nossos resignados de seus amigos e conhecidos. Defendemos o alguém a qualquer custo, seja marido, esposa ou qualquer um, como se ele não fosse capaz de se defender sozinho, ou quer seja porque existe uma meta de politicagem por de trás, do tipo "se ele cair eu caio junto porque não sou nada sem ele". O que Deus seria sem o Diabo? Percebe a relação que um não pode existir sem o outro?
A sombra do exegeta também o leva a desmerecer os amores anteriores dos resignados e, ao assim fazer, supervalorizar-se. Não é a toa que por convencionalismo muitas pessoas se unem como se casamento fosse e assim, mantem a aparência de um verdadeiro amor. Dessa maneira conseguem algum crédito dos cegos e eles fazem desses cegos, pessoas doentes e dependentes dos conselhos divinos deles.

Isso é muito importante de se compreender.

Sempre que o sofrimento de um resignado ameaça esmagar o crítico, sua sombra também lhe mostra um belo caminho para sair dessa dificuldade. O sofrimento neurótico não é um sofrimento real, assim diz algum dogma e, isso nos permite deixar de ver o fato de que o resignado está realmente sofrendo. 

Na realidade talvez não existam coisas como  sofrimento irreal ou inadequado, mas apenas problemas irreais ou inadequados. Isso faz muitos fracassados por ai, isso causa inimizades e guerras infundadas até mesmo entre bruxos.

Até mesmo o Self é mal empregado pelo analista que está mergulhado na sombra sem se dar conta.
Quantos comportamentos agressivos, imorais  ou intolerantes não são, com frequência, justificados por serem intrínsecos ao Self de um paciente?
Por exemplo: O adultério, deixa de ser encarado como um grave insulto e uma agressão ao cônjuge e, passa a ser uma libertação das normas coletivas em nome do Self. Comportamento injusto e desleal para com amigos, conhecidos, empregados e empregadores, rejeição da moralidade e dos códigos morais: o analista mergulhado na sombra ajuda e apoia tudo isso como sendo arrojados atos de libertação e redenção, de descoberta do Self. O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Alguns lideres, chefes e mestres acabam agindo da mesma forma e não percebe que estão se perdendo. Esses, não podem ser lideres da cura, pois não podem curar nem a si mesmos. Pelo menos ainda não.

Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Mas cada um tem sua loucura, não é mesmo?

Um(a) mestre(a) de coven precisa se perguntar diariamente o porque ele(a) se tornou mestre(a).
Qual é o propósito de alguém fundar um coven, senão pela linhagem e treinamento que recebeu, as autorizações de sua família mágica e pela necessidade que o próprio tempo lhe impõe? Chega uma hora que a vida lhe coloca nessa posição, os deuses lhe trás à isso, sem esforço algum.

Mas o que vejo por ai é o seguinte:

Bruxos conjurando os espíritos dos dias da semana e pedindo sucesso e vitória para Jupiter, Saturno e outros, enquanto desprezam o sucesso alheio. Oras, a palavra sucesso vem de suceder. Sempre há alguém que nos sucede, mas poucos vê isso e aceita numa boa. Um mestre legítimo sorri quando ele transmite seus conhecimentos, isso sim é suceder com vitória.

Verborréias de mestres causam um verdadeiro estupro em nossa essência e, por si só denota que tais mestres não estão nos respeitando em primeiríssimo lugar, mas eles sempre culparão você, dizendo que você não o respeitou. Veja que quando alguém põe a culpa em você é porque essa pessoa não pode e não deve te curar em nada, desde que nem ela mesma conseguiu isso consigo. Bom, ninguém dá o que não tem, vejam por si.
Ninguém é mestre 24 horas por dia. A situação faz um mestre e, isso é um momento. Um único momento onde você liberta uma pessoa e ela lhe será grata pelo resto da vida. Se você ensinou alguém a se libertar de suas própria opressões, se você curou alguém com uma única palavra de conforto ou com uma magia, se você ensinou alguém a pensar por si só, se você ensinou alguém a ser ela mesma, isso fez de você um(a) mestre(a) em algum momento. Muitas pessoas almejam liderar outras e se esquecem de permanecerem juntas na liberdade, pois isso requer certos sacrifícios do líder, os quais poucos estão dispostos a pagar. 

Infelizmente, sempre há um bonequinho “vodu” para as intenções de prender ou matar cada pessoa que os incomodam não é mesmo? Isso é poder de mestre(a)? 
Garrafas, frascos de vidro, terras de cemitério e outros pós e conjures preenchem o quadro de uma culpa sua, mas que é atribuída ao outro.
Ai é demais, esse comportamento revela a máxima ausência de destreza em se guiar outros na jornada que na verdade nunca precisou ser guiada, mas sim "apresentada". Essas pessoas querem guiar-nos a força, querem nos obrigar a seguir seus passos e calçar os mesmos sapatos, ainda que você tenha o pé maior do que o deles. Mais uma vez o tema da Cama de Procusto. É uma opressão mascarada de liberdade, precisamos ter olhos para ver e disciplina para lidar com isso.

Uma iniciação não foi criada para ser guiada, mas para dar a oportunidade de sua "ficha cair" e aprender a nascer de novo - o tempo todo - como uma phoenix. Isso é para ser aplicado no mundo do dia-dia, no mundo ordinário fora do covine. O covine é um lugar para você se reabastecer e comungar com seus iguais, mas sempre há um fdp para falar que ele é diferente ou para apontar você como um ser diferente. Na verdade é o ego falando mais alto. É o ego que não quer cair do pedestal.
Quando essas regras requer que sejam aplicadas com irmãos de coven, então o problema foi evidenciado e quem está na cabeça do coven deve chamar a responsabilidade para si mesmo em primeiro lugar. Se falhar nesse ato, o coven se dissolve, a irmandade se dissolve e não adianta justificar que alguns caem suavemente e outros não. Quando se fundou um coven você já se achava sábio, ainda que não pôde prever o futuro e não previu sua própria desventura por falhar em observar sua sombra. Essas pessoas criam argumentos diversos para justificar o porque dos porquês de suas metas. Persistem nessas metas de maneira obcecada, a ponto de tomar por desprezível um irmão. Eles querem fazer o caminho deles se tornar um brilho somente para os poucos escolhidos, coisa tão pobre de espírito que temos de pedir desculpas pela arrogância dessa gente que se acha bruxa. Ah, desculpa, era segredo iniciático! Oras bolas!

Ser honesto com o coven todo é ser humilde, tão claro e cristalino quanto a água. Tudo que andar na contra mão dessas diretrizes seria no mínimo uma arrogância e uma prepotência. Logo, se não chamar para si a responsabilidade esse suposto carro chefe cairá no próprio descrédito, uma vez que ele mesmo desdenhou dessa regra e não deu crédito à verdadeira essência da honestidade em si.

Essas pessoas ficam “loucas” para se livrarem dos vícios mundanos como se isso fosse um vírus. Oras, não são os vícios mundanos que nos tornam humanos? Não são os cigarros e as bebidas que seguram o “guia” em terra? Vírus tem cura?

Você já se perguntou por que depois de uma iniciação a sua fé é testada, ao ponto de você se ver numa ordália onde você é levado a acreditar que sua fé não existe mais?

Oras, um deus não faz culto para outro deus! Simples assim.

Ao adquirir a consciência de um deus na terra, devemos nos diminuir e sair da soberba e da arrogância, pois só os humanos fazem cultos à um deus e essa é a fórmula para se barganhar com um deus e “comprar” os favores divinos com uma boa oferenda a fim de se obter uma melhoria de vida. O acreditem ou não, há quem barganha para comprar os favores de um deus, com a finalidade de destruir um irmão de arte ao invés de torcer pela felicidade e sucesso dele. Contudo isso não nos preocupa porque quem tem cú, não precisa de patuá.

Adolf Guggenbühl-Craig em seu artigo intitulado "Charlatães, impostores e falsos profetas" diz que cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação. Ele diz: “Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego. Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.”

Poder e dever são coisas distintas, então usarei a palavra “podemos” ao invés de “devemos”.
Por essa razão caros leitores, podemos enxergar a nossas próprias crenças falsas, as falsas crenças que adquirimos como “manias” e acabamos sendo fiel à elas.

Harrison Dark Horse
Vamos rasgar os véus de Maya, vamos descer desses cavalos negros e vamos nos auxiliar uns aos outros de modo altruísta e desinteressado e vamos hesitar sim em adoecer pessoas saudáveis, ou seja, deixemos de ser enganados e de enganar os outros. Os charlatães ganham dinheiro e prestígio muito mais que verdadeiramente ajudam os outros. Esses charlatães não ligam para sua atividade espiritual de fato, eles traíram a si mesmos e traíram seus próprios votos juramentados e, agem de acordo com seus propósitos egoístas levando uma centena de pessoas a acreditarem que eles são os donos da verdade, publicam uma série de livros para obter fama, pura vaidade, e eles adoecem a si mesmos conjuntamente, tendo em vista que isso anda na contra mão de um trabalho sério de libertação de sua própria opressão interna e de seus "barros". Alguns usam o nome de Cain, mas agem como Abel. Usam o nome de Remo, mas agem como Rômulo.

O reverso dessa nobre imagem do "homem de Deus" é o hipócrita, o homem que prega, não por ter fé, mas porque quer influenciar os outros e exercer poder sobre eles. A congregação ou covine de qualquer pastor ou bruxo exerce grande pressão sobre ele para que aja com hipocrisia.

A companheira inevitável da fé é a dúvida. Se permita ter dúvidas sobre mim e sobre você, bem como sobre qualquer um.

O grande problema é que ninguém quer ter dúvidas acerca do seu líder espiritual, padre ou seu pastor; cada pessoa já tem suas próprias dúvidas, e estas lhe bastam. Um fraudulento não admite que ninguém tenha dúvidas dele, não admite que ninguém o questione ou que lhe ponha em cheque, pois se isso acontecer ele lhe manda para a fogueira. 
O fraudulento age como um psicopata, inteligente, ele sempre irá criar um texto, artigo ou argumento para justificar o porque de seus atos e decisões, que pesam sobre a vida de alguém e, assim irá doutrinar os cegos que ainda precisam ser guiados.

Como perguntou a si mesmo...alguém consciente: Por que o meu veneno é melhor do que o seu? Existe isso de ser melhor ou pior? Se a verdade divina é individual, fragmentada, passageira, transferível e mutável, ela é então universal, e se é para ser universal não há que se falar em “raças”, mas sim em etnias, pois estamos todos no mesmo planeta, incapazes de irmos para outro. Isso nos iguala.

Sett Ben Qayin







terça-feira, 10 de março de 2015

A CONVERSÃO DO ANGOR

Este ritual nos foi gentilmente cedido pelos nossos velhos e com autorização deles, venho aqui contribuir com mais essa preciosidade. 
Numa época em que seus demônios lhe atormentam, nada melhor do que convertê-los para lhe trazer paz à la Rromá.
Aproveitem.



01 ramo de Sândalo
01 galho Manjericão
03 macadâmias
Sementes de Mostarda
50 ml de azeite
1 vidro pequeno
1 Momeli lalo + Mistôs e Pirin para a difusão.

CHEMAREA MAMARI

Ankhóne Ancaru Angerona, pelo fogo negro e pelo poder de Ikana Sara Kali, que limpa, cura e purifica o alimento do raty e perpassa tuas divindades, a Ti invocamos Ikana Sara, tu que é poderosa e em teu nome é abençoado pelas nossas mãos esse ramoné, possa ser instrumento de oblação de cura aos necessitados. Sara Kali, Madre, oh Santa, oh Duvêla, oh Mami Mamari Majarí, transforma o seco em úmido e liberta o pulso da vida que deve vigorar sobre todas as doenças que se manifestam.

Rogamos ao povo do Oriente, Mule Rromáh, que se faz presente, nossos irmãos, que o poder de Saintes Maries de La Mér circule pelas veias, artérias e reconstrua a saúde de nossos enfermos. Peregrinos que somos, filhos de tuas veredas, tu és o nosso único hospital e nossa Drabarno Drabengra. Abençoe-nos oh Santa Mãe, Curadora e Senhora dos vários caminhos, Santa Sara Kali, te rogamos, abençoe-nos. Que esse feito, seja veículo de atração de cura e a cura propriamente de cada doença cardíaca.

Pela amarai Kirvi Rosa Dolores, e por todos os teus nomes oh Kamli Santa Sara Kali, Chinday Busnin, Lua Errante, Rani, Gule Romni, Tremuche, a primeira Shuvani, Chovexani, Li Haeer e pelos poderes do fogo conjuramos o teu poder de cura, para que penetre, através de nossas mãos e nossas magias, os incontáveis curripéns. Que a ablação seja nesse momento realizada, que o Ague que queima estes drabs com eles leve toda daquipén e samurrê argurar, traga a saúde perfeita de quem nossas mãos tocar.

Pelo aroma do sândalo possa nossas preces o fogo sublimar, pelo bálsamo da mostarda possa o grão curar. Abriga-nos oh Mãe Sara, que venha de cima o seu poder de cura sobre este clã sagrado! Oh Madre, impera também em nossas paragens, entre nós, com sua presença agracie-nos com a absolvição que pedimos. Atravessa-te pelo fogo, cura-te as feridas, sobe a ti Santa Sara a fumaça dos meus frutos e venha ao encontro do meu clamor.

Oh dor no peito, moléstia ruim, volte para quem te gerou, indisposição, angina, arritmia, infarto, convertam-se no bom funcionamento de um coração sadio!
RUGACIUNE SCHUMBARE

SNALGAFATAR, SNALGAFATAR, SNALGAFATAR – demônio que faz o coração vibrar com vida saudável, nós te conjuramos para que penetre neste óleo e leve a cura e a saúde ao coração dos enfermos.
Filho da misericórdia perdoe quem provocou sua adversidade, pela santidade de teu nome curamos em favor dos doentes.
Oh Gloriosa Madre, nossa protetora, pelo poder de cura que nos deste e por essas mãos flamejantes, pelo nome de Ankhóne Ancaru Angerona, queimamos a ferida, põe sobre ela o teu sopro curativo e cicatrizante, cubra-a com teu manto e devolva-lhe a vida.

Optchá! Optchá! Optchá!

Sett Ben Qayin