sexta-feira, 20 de março de 2015

A Verdade sobre as Chaves de Salomão


Rei Salomão e sua corte

A Clavícula de Salomão é um dos mais antigos tratados de magia cerimonial europeia. A palavra Clavícula significa chave pequena. Esse nome se deu por ser considerado chaves que abrem as portas do universo mágico. O título em língua portuguesa é oriundo da tradução francesa e dela resultou todos os demais tratados de magia, ou pelo menos ela foi consultada para gerar novos trabalhos literários sobre a Arte.

De acordo com os historiógrafos esse livro não foi escrito pelo Rei Salomão. Antigamente, mais precisamente na Idade Média, o recurso literário mais utilizado era o de atribuir uma obra a um personagem famoso. Era frequente que um livro fosse escrito por mais de uma pessoa, pois era o resultado do esforço de uma confraria e geralmente consistia na compilação de materiais transmitidos oralmente há muito tempo sem que fosse possível atribuir a especificidade do autor.

Naquela época não havia os direitos autorais e era uma fase muito rica da história já que existiam muitas nuvens de conhecimento para chover no papel e esse ofício não era específico de alguém de fora da vida religiosa. Por essa razão, os autores não se preocupavam em manter seus nomes ligados a obra e, por isso escolhiam um patrono, um grande sábio dos tempos antigos, uma divindade ou uma personagem lendária para ser seu autor oficial.

Essa prática dava credibilidade ao material, o que poderia não ocorrer se fosse atribuído a um autor sábio e desconhecido. Além de tudo, o escritor legítimo ficava protegido de todos os perigos, caso o texto publicado desse merda no âmbito religioso ou político. Isso dava prisão ou morte em alguns casos. Foi por essa razão que Salomão se tornou autor de vários livros de sabedoria, uma vez que ninguém tinha coragem ou inteligência para contestar a fidúcia do autor.

É fácil atribuir atualmente as raízes do conteúdo da Clavícula ao gnosticismo, uma espécie de heresia cristã muito difundida na Ásia menor, nos primeiros séculos da Era Comum, e na Cabala e seu misticismo originário do século XII de nossa Era. Inclusive, ao olhar de perto os exorcismos do sal e da água, o traçado e lançamento do círculo, o modus operandis para o chamado dos quadrantes, fica bem fácil fazer a leitura que revela de onde Gardner inspirou-se para dar o “frame” da Wicca. Entretanto, esse frame é tradicional à Clavícula e a magia cerimonial. Qualquer um de nós que modelar sua arte baseando-se nesse frame, não pode ser considerado frame wiccan, mas sim, há de ser dado os créditos com precisão a tradicionalidade da magia cerimonial das Clavículas de Salomão.

Mas como eu estava dizendo, isso indicaria que o livro deva ter sido escrito, ou começado, durante o Império Bizantino ou um pouco antes. Uma versão grega foi conhecida no tempo do imperador Manuel I Commenus e, nessa mesma época circulou uma versão em latim.
Daí em diante surgiu às diversas traduções. Foi soi-disant revelada pelo rei Ptolomeus, o Grego, ou traduzidas do hebraico para o latim pelo rabino Abognazar, que podem muito bem serem autores fantasmas.

Embora houvesse diferenças, as cópias foram guardadas nas bibliotecas britânicas e francesas. Essas riquezas permitiram que no século XIX, o magister e fundador inglês da Golden Down, o senhor MacGregor Mathers e o francês Éliphas Levi dessem uma nova roupagem, aproximando do original, mas com linguagem melhorada.
Magia cerimonial vem a ser um nome dado pelos magos eruditos da época, contudo, sabemos que todo ritual formal é uma cerimônia. Mas esses magos eruditos queriam a todo custo se diferenciarem da magia pagã praticada sob os auspícios da feitiçaria, talvez por preconceito, como se magia pagã fosse para os pobres e magia cerimonial fosse para os ricos.

A magia pagã era praticada por pessoas ligadas à fé agrícola, ou talvez uma espécie de religião agrária, e usavam fórmulas simples, feitiços, filtros, encantamentos, poções etc., tudo sob o frame da magia natural e simpática. Era praticada principalmente por mulheres, parteiras, curandeiras da aldeia rural. Parece que essa magia tinha o objetivo de resolver os problemas diários das pessoas, como casamento, trabalho, ter filhos, curar doenças, um relacionamento amoroso, sexo, maldições, etc. Essa magia interagia com as forças naturais, sem controlar essas forças.

No entanto, a magia cerimonial era urbana, masculina e elitista, enraizada nos conceitos e práticas dos místicos judeus e cristãos a princípio, como uma forma de magia erudita, praticada principalmente por religiosos de alto escalão, que tinham a possibilidade de estudar a ciência e a filosofia da época dos magos constelares e visavam, por intermédio dessas práticas sobrenaturais, adquirir poder sobre os indivíduos, espíritos, demônios para se obter ganhos pessoais dos quais não conseguiriam de outra forma. Essa magia buscava controlar essas forças por meio do poder e assim se distinguiu a magia das bruxas e as práticas de magia cerimonial.

Atualmente essas duas divisões de magia não separam mais nada além do próprio nome, pois cada vez mais os dois conceitos se fundem devido talvez, ao avanço da internet e ao conhecimento a um clic de distancia.
A chave menor de Salomão foi chamada de O Lemegeton, e foi assim dividido em cinco partes, sendo: Ars Goetia, Ars Theurgia Goetia, Ars Paulina, Ars Almadel e Ars Nova.

Você pode se informar mais clicando aqui: Chave Menor de Salomão

Nas Clavículas foi abordado a Goécia, escrita sob a forma de diálogo entre o Rei Salomão e seu filho Roboão que aprendia a arte mágica do pai. Dividida em duas partes onde a primeira consta as formas de execução do trabalho mágico, com encantamentos e conjuros para diversas finalidades, e a segunda parte tratou dos instrumentos da arte. A Clavícula revela a arte da Goecia e suas regras, com exortações e conjurações que obrigam o universo oculto a servir o mago. Esse foi o start dado à magia desde então, foi o botão que Salomão apertou para nunca mais desapertar.

As sofisticadas e amplas orações dos antigos manuais de magia são hoje pouco mais que meras bisbilhotices, valem mais quando seus textos são simplificados, restando apenas aquilo que é essencial e que pode ser usado na aprendizagem da Arte.


Sett Ben Qayin






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